
Eiras faz questão de manter viva tradição do Cortejo do Imperador
A história já foi várias vezes contada. Até em reportagens do Diário de Coimbra. Mas o povo de Eiras faz questão de a recontar ano após ano, mantendo viva uma das mais enraizadas tradições da freguesia: o Cortejo do Imperador.
Por isso, ainda a missa não tinha terminado na Igreja Matriz, já dezenas de pessoas se juntavam no agora reabilitado Largo de Eiras, para aguardar o momento simbólico. Aquele em que Imperador liberta o prisioneiro e pombas voam pelos céus da freguesia, e iniciarem o caminho que, mais uma vez, os levará até Santo António dos Olivais, onde o dia é de convívio e de danças.
Vão, como não poderia deixar de ser, vestidos a rigor. É o caso de Susana Esteves, filha da terra e presença assídua no Cortejo do Imperador, que voltou a colocar o lenço sobre os ombros, a blusa branca e a saia rodada para fazer cumprir «uma tradição muito antiga» da sua freguesia, na qual faz questão de participar sempre...
Mesmo que, como aconteceu este ano, esteja magoada num pé. «O calçado não é a rigor, mas este ano não podia ser», confirma ao Diário de Coimbra. Tal como Susana, também Conceição Cunha não falha uma recriação desta tradição. Não é filha da terra, mas adotou-a como sua, tanto que é a responsável pelas Marchas da Freguesia de Eiras, que tanto colorido estão a dar às ruas da cidade, nesta altura de Santos Populares.
Depois da missa, na Igreja Matriz, a libertação do preso é um dos momentos mais marcantes desta recriação que há vários anos se realiza em Eiras
Quanto ao Cortejo do Imperador... Pois não pode deixar de estar presente, pelo convívio, mas também pela consciência da importância de manter vivas as tradições antigas.
Tradições que voltaram a ser recriadas há quase três décadas, pela mão de gentes da terra e que ainda hoje se mantêm vivas. Maria Crisóstomo é uma delas. Há 30 anos que faz questão de marcar presença no Cortejo do Imperador de Eiras e, ontem, lá estava de novo, para cumprir o percurso de Eiras aos Olivais.
«Fiz apenas um interregno de dois anos, quando faleceu o meu pai e outro quando faleceu a minha mãe. Mas o meu pai foi um dos responsáveis por isto, por isso faço questão de vir», confirmou Maria. Uma confissão partilhada com Cecília, que perdeu o marido, também ele envolvido no arranque desta recriação histórica em Eiras, e, portanto, presente para lhe prestar homenagem, apesar de não ir participar no cortejo.
Satisfeito estava também Luís Correia. O presidente da União de Freguesias de Eiras e S. Paulo de Frades vestiu-se a rigor para participar na iniciativa e realçou o facto de, apesar de ser a recriação de uma tradição antiga, contar com a participação de gentes de Eiras de várias gerações, acreditando, por isso, que será uma tradição para perpetuar por muitos anos.
Com o Imperador instalado na charrete e os gaiteiros a darem o mote para um dia animado, o povo fez-se ao caminho até aos Olivais, num percurso que passa por várias zonas e bairros da União de Freguesias e que teve paragem no Mosteiro de Celas para, depois, se instalar no Largo dos Olivais para uma tarde de almoço convívio, com muita dança e animação, antes do regresso ao Largo de Eiras.












