
Festival no Mercado D. Pedro V deu a provar diferentes sabores do arroz-doce
Costuma dizer-se que há 1.001 receitas para fazer bacalhau e de arroz-doce são, pelos menos, 159: com ou sem ovos, com limão ou com laranja, leite ou água, a canela e o açúcar e, claro está, arroz carolino, de preferência, do Baixo Mondego.
Quem passou ontem pelo Mercado Municipal D. Pedro V teve oportunidade de provar algumas das receitas no 1.ª Festival Nacional de Arroz-Doce, uma iniciativa da Confraria do Arroz-Doce, em coorganização com a Câmara Municipal de Coimbra.
Matilde Azevedo, presidente da Confraria do Arroz -Doce de Maiorca, explicou ao Diário de Coimbra que «o grande» segredo do arroz-doce da sua terra é, «se calhar, o arroz produzido nos campos de Maiorca», a que se acrescenta o «método tradicional» de confecionar uma iguaria que, «em dias de festa», não falta nas casas da freguesia.
As gentes de Maiorca não fazem segredo do que é necessário para um arroz-doce “de comer e chorar por mais”, por isso, em cima da banca, qualquer visitante, pôde levar para casa a receita: «Leite (fresco e servido lentamente), casca de limão (porque se a vida te dá limões faz arroz doce), arroz carolino do Baixo Mondego (escolhido e lavado cuidadosamente, colocado no leite a ferver, suavemente sem salpicar e mexido, mexido e mexido pelas mãos mais ternas do mundo), sal (q.b com o tempero das mulheres de Maiorca), açúcar (quantidade suficiente para ser doce) e canela (a gosto, para quem gosta, doseada com o pincel do pintor mais humilde, sobre o arroz quentinho em repouso)».

Tal como manda a tradição, por ali, muitas famílias de noivos ainda oferecem arroz-doce aos convidados.
Na banca do lado, a Confraria do Arroz-Doce, que é de âmbito nacional e tem sede em Almalaguês, não deixou de lado o arroz doce de Coimbra, mas privilegiou duas outras propostas: a receita de homenagem à Rainha Santa, “São Rosas”, e o arroz doce do Funchal.

Como explicou ao Diário de Coimbra Dora Caetano, presidente da Confraria do Arroz-Doce, a receita de homenagem à padroeira de Coimbra, «em vez de ser aromatizada com limão, é com laranja, invocando os laranjais de Coimbra». Água de rosas também faz parte dos ingredientes e, para polvilhar, a canela dá lugar ao pó de rosa desidratado.
A receita da Madeira, salientou Dora Caetano, «não leva leite». «Leva apenas água, açúcar, arroz e gemas e fica, igualmente, cremoso», garante, referindo que as receitas de arroz-doce conhecidas vêm já do século XVI. «Há imensas e não são inovações», salientou.
O festival também deu a provar o arroz-doce da Gândara.«o chamado arroz-doce de casamento, que se transportava à cabeça», recordou Jacinta Rodrigues, da Confraria Aromas e Sabores da Gândara.

Já a Confraria “As Sainhas” de Vagos preparou um arroz-doce com água e ovos. «Tem uma textura diferente. Em substituição do leite, leva manteiga», explicou Aldina Rocha.
O festival contou ainda com dois showcooking e o concurso para avós e netos.












