
Tecelagem de Almalaguês vence Prémio Europa Nostra
A tecelagem tradicional de Almalaguês conquistou para Coimbra, e para Portugal, um Prémio Europa Nostra, na área do Património Cultural, na categoria “Envolvimento e sensibilização dos cidadãos”. Vai, agora, concorrer com projetos de outros países para tentar ser o grande vencedor de 2025.
A distinção da candidatura “Almalaguês: tecendo o amanhã a partir da tapeçaria do tempo”, promovida pela Câmara de Coimbra, foi ontem anunciada pela Comissão Europeia e pela Europa Nostra, organização que representa o prémio em Portugal através do Centro Nacional de Cultura. Agora, fica disponível online, até 12 de setembro, a votação para o Prémio Escolha do Público 2025, cujo vencedor irá receber 10 mil euros.
O projeto, contextualiza a Câmara em nota de imprensa, «tem como principal objetivo a preservação e revitalização das práticas tradicionais de tecelagem de Almalaguês, uma expressão cultural profundamente enraizada na identidade da região». A iniciativa contou com a participação da Associação Herança do Passado, envolvendo artesãos locais, profissionais da cultura, investigadores e voluntários, com o apoio do município e de vários parceiros.
De acordo com o júri dos prémios, constituído por 11 peritos em património de toda a Europa, o projeto de Coimbra «apresenta uma abordagem inovadora, que alia o património tradicional às práticas contemporâneas, sustentada por um forte envolvimento público e numerosas exposições». É uma «excelente integração entre participação comunitária, investigação e sustentabilidade, num enquadramento participativo», destacou o júri, ao notar que a tecelagem de Almalaguês «oferece oportunidades de rendimento significativas para públicos não tradicionais e grupos vulneráveis, demonstrando como o património pode contribuir tanto para a inclusão social como para a resiliência económica».
Este ano houve 251 candidaturas para as diferentes categorias dos prémios, de 41 países europeus
Este ano houve 251 candidaturas elegíveis para as diferentes categorias dos prémios, apresentadas por organizações de 41 países europeus.
Os vencedores vão ser homenageados na cerimónia dos prémios do Património Europeu 2025, a 13 de outubro, no Flagey, em Bruxelas. Durante a cerimónia vão ser anunciados os laureados com o Grande Prémio e o vencedor do Prémio Escolha do Público (votação que envolve os vencedores deste ano, sendo efetuada online, em “Public Choice Award”).
Na categoria de Almalaguês concorrem mais oito projetos: "A Arte de Proteger [parque natural de Bedechka"], em Stara Zagora, na Bulgária, Baltic 3D Wrecksite Ontology, da Finlândia, o restauro da catedral de Notre-Dame, em Paris, a campanha de donativos "The Culture of Ukraine has no Means of Defence”, da Ucrânia e Lituânia, as Jornadas do Património Cultural, da Polónia, “Casa Ouriço, Inventando um Mundo Melhor”, da Sérvia, “Casa Batlló: Integrar a Neurodiversidade no Património Mundial”, de Barcelona, Espanha, e o Festival All Together, em Kiev.
Museu e programa também distinguidos
Além de Almalaguês, Portugal conquistou mais dois prémios, com o Museu Nacional Resistência e Liberdade-Fortaleza de Peniche e com o programa Saber Fazer.
O museu, instalado na antiga prisão política da ditadura do Estado Novo, foi distinguido na categoria Conservação e Reutilização Adaptativa. O projeto de reabilitação e adaptação é do Ateliê AR4, do arquiteto João Barros Matos.
O programa governamental “Saber Fazer”, estratégia para a salvaguarda das artes e ofícios tradicionais, foi distinguido na categoria Educação, Formação e Competências. O programa apresenta a produção artesanal tradicional como um setor viável, sustentável e relevante, procurando destacar o trabalho das artesãs e dos artesãos, bem como os produtos, processos e materiais, na sua relação com o contexto sociocultural e a paisagem natural.
A Europa Nostra, que a Câmara Municipal de Coimbra integra desde 2019, é a maior rede europeia de defesa do património.
“É uma homenagem às mulheres de Almalaguês”
«O nosso envolvimento [na candidatura] foi o de prestação de informação», de produtos e iniciativas, diz a presidente da Associação Herança do Passado, ao destacar o papel da Câmara de Coimbra. Que vai além da candidatura, tendo facilitado à Herança do Passado uma loja na Baixa para dar visibilidade a um ofício secular.
Tem também sido esse o papel da associação há 17 anos: preservar a tecelagem para que não se perca no tempo, assinala Maria Emília. Ao comentar o prémio, revelou «muito orgulho pela valorização do saber-fazer». «Grata e lisonjeada», a dirigente associativa entende que o Prémio Europa Nostra é também «uma homenagem às mulheres de Almalaguês».









