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As obras de «A Fábrica das Sombras»

Até 6 de julho, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, pode visitar a exposição «A Fábrica das Sombras», apresentada no âmbito do Anozero’25 Solo Show. A mostra propõe um percurso imersivo pelo universo sensorial de Janet Cardiff & George Bures Miller, dois dos mais influentes artistas contemporâneos no campo da arte sonora e multimédia.

Reconhecidos internacionalmente pelas suas instalações site-specific e pelas experiências áudio e vídeo que criam, os artistas — que vivem e trabalham no Canadá — apresentam 13 obras que ocupam e transformam o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, desafiando a perceção do espaço e ativando novas camadas de escuta e interpretação.

A exposição pode ser visitada de quarta a domingo, das 11h00 às 19h00, com entrada livre.

 

ESTA SEMANA

Visita orientada com a artista Luísa Sequeira na sexta-feira, 13 de junho, às 16h, e visita com a equipa de mediação no dia 14, sábado, às 16h.

The Forty Part Motet, 2001

Janet Cardiff
Spem in Alium, a composição coral renascentista de Thomas Tallis, foi inspiração para Janet Cardiff na instalação áudio The Forty Part Motet. Pioneira na utilização de quarenta faixas de áudio separadas para reproduzir as vozes individuais, Cardiff materializa agora cada uma das quarenta vozes na forma de uma coluna, dispondo-as numa grande elipse, ou escultura sonora, composta por oito grupos de cinco colunas voltadas para dentro. Cada corista e a sua melodia personificam-se, assim, a cada suporte metálico, no seu conjunto constituindo um coro virtual, no qual o movimento das vozes pelo espaço cria uma experiência escultural quase física.

Trata-se de uma obra site-specific desenhada para ser experienciada, que apenas se cumpre com a ação do espectador. Ainda que inconsciente, este ato performativo dá-se pelo compasso de aproximação ou afastamento a cada fonte sonora, o que permite a distinção entre vozes e as diferentes combinações e harmonias entre elas. Ao contrário de um coro real, atestam-se os limites da intimidade, tão desafiantes quanto a invisibilidade que a tecnologia permite. Metaexperiência sónica: a espontaneidade e a variabilidade desta dança, entre quem ouve e o que é ouvido, criam uma pauta musical mutável a cada experiência, permitindo um concerto pessoal a cada visitante. No centro da instalação, todas as vozes se ouvem em uníssono.

The Forty Part Motet é um escape intimista a outros e novos mundos, durante catorze minutos, com tanto de magia quanto de cura.

 

Desde a sua fundação em 2015, o Anozero — Bienal de Coimbra tem afirmado um modelo único de colaboração entre o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra, trazendo à cidade exposições e artistas que desafiam as formas tradicionais de pensar, fazer e experienciar arte.

Junho 13, 2025 . 09:17

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