
De pais para filhos e de avós para netos: tradição do Bolo de Ançã continua viva
Eliseu Henriques começou a amassar com apenas 12 anos, antes disso já era responsável por limpar, preparar e colocar lenha no forno a lenha da avó Maria, uma das boleiras mais antigas de Ançã. Já com 14 anos apresentou-se pela primeira vez na Feira do Bolo de Ançã para demonstrar que também sabia fazer a iguaria, tal como fez ontem na XXII edição do certame.
«A minha avó é uma das boleiras mais antigas de Ançã e como a ajudava a preparar as fornadas comecei a ganhar o “bichinho”», começou por contar Eliseu Henriques, em conversa com o Diário de Coimbra, enquanto preparava a massa para fazer uma fornada de bolos de Ançã ao vivo.

«O maior segredo para além da experiência está na qualidade dos ingredientes que nós escolhemos para fazer o nosso bolo», realçou.
Apesar de ter uma profissão a tempo inteiro, Eliseu faz fornadas de dezenas de bolos de Ançã «cinco vezes por semana».
«É o meu part-time que é como um segundo emprego», disse, explicando que o negócio é atualmente de revenda. «Eu tenho fornos com uma grande capacidade, mas sempre controlada, porque eu defendo que a qualidade do bolo de Ançã perde-se nas quantidades industriais».
Farinha, fermento, raspa de limão, açúcar, ovos (muitos ovos), água e braços fortes são os ingredientes necessários para preparar a massa que depois de ir duas vezes ao forno ganha uma cor dourada e a típica forma do bolo de Ançã.

Dorinda Vagos é uma das mais antigas boleiras de Ançã
Apesar de já não produzir em grandes quantidades, Dorinda Vagos ainda ajuda a filha, Berta Santos, a vender os seus bolos.
Aprendeu a receita, o jeito de amassar, a temperatura certa do forno a lenha e a forma do nolo de Ançã com a bisavó e avó, depois de anos a vender bolos, passou o “testemunho” à sua filha e espera que os dois netos continuem a tradição. Em abril, Berta Santos até conquistou o primeiro lugar do concurso promovido na Feira do Folar e da Arrufada de Coimbra.
«Sabemos que é bom, claro que nos sentimos orgulhosos», afirmou a boleira.
Para Dorinda o segredo está em «manter a tradição», «não tirando o que é preciso e não acrescentar grandes invenções», defendeu.
O segredo do Bolo de Ançã está na preparação e na forma de amassar, diz boleira
A Feira do Bolo de Ançâ já é um marco na programação e, segundo Cláudio Cardoso, presidente da Junta da Freguesia, o certame «atrai pessoas de todo o lado que querem provar o bolo de Ançã».
«Este ano temos 10 boleiras, é um dos melhores anos em termos de presenças e é sempre um certame que corre muito bem», disse o autarca.
O Terreiro do Paço é o “cartão de visita” da vila e, por isso, acolheu os expositores que venderam centenas de bolos, animação musical ao longo do dia e ainda foi possível assistir ao vivo a produção deste bolo tradicional pelas mãos de quem sabe fazer.










