
“Coimbra vai ser (pelo menos) um dos concelhos mais dinâmicos do desenvolvimento do país”
Diário de Coimbra - Aproxima-se a 3.ª edição do Coimbra Invest Summit. Pode dizer-se que este é já um evento consolidado em Coimbra?
José Manuel Silva Sem dúvida que é a consolidação, a afirmação e o crescimento contínuo deste evento. Eu diria que é uma das nossas principais obras. Há pessoas que entendem obras como apenas alcatrão e betão. Mas não. A grande obra que estamos a implementar em Coimbra, é o desenvolvimento global do concelho. Como sabemos, Coimbra estava em decadência exatamente porque não tinha investimento privado e empresarial. Portanto, este Coimbra Invest Summit veio, dentro da linha estratégica da dinamização empresarial e do investimento, dar uma oportunidade a um networking das empresas. E têm-se criado sinergias interessantes das empresas instaladas ou das que se vem instalar no concelho.
É isso que é absolutamente essencial para constituir a estrutura do crescimento e desenvolvimento económico, social, cultural, turístico, sustentado e sustentável de Coimbra. Sem investimento privado não há crescimento e não há desenvolvimento. Coimbra, erradamente, seguiu no passado uma estratégia de ser apenas uma cidade de serviços e, como vimos, estava em declínio, em decadência, a perder população, sem oportunidades de emprego. O nosso entendimento foi exatamente promover nos seus diferentes setores o desenvolvimento de Coimbra e penso que estamos a conseguir. Um dos paradigmas é, claramente, a realização de uma cimeira, um festival empresarial, para mostrar Coimbra e para atrair novas empresas para Coimbra, que é o Coimbra Invest Summit, que foi muito bem recebido, saudado e tem sido elogiado por todos os parceiros.
Esta edição acrescenta o cluster o do Turismo ao da Saúde, Tecnologia e Espaço, que vinham das edições anteriores. Que importância tem, tendo em conta o papel de Coimbra na região e no país em matéria de atração turística?
O Turismo é, neste momento, a sustentação do PIB português. Tem uma contribuição de quase20 % para o PIB português nas diferentes vertentes. Tem vindo a crescer e, provavelmente, este ano será um dos melhores de sempre, se não o melhor de sempre do turismo em Portugal. Ora, Coimbra não tinha uma estratégia de desenvolvimento turístico. Teve um grande incremento turístico quando a Universidade, Alta e a Sofia foram consideradas património mundial pela Unesco, mas num circuito demasiado uniforme, que deixa de lado e de fora muitas potencialidades turísticas de Coimbra, que eu poderia resumir dizendo que os italianos que nos visitam consideram que Coimbra é a Florença portuguesa. Ou seja, nós temos um património imenso que temos que mostrar, por isso criamos uma divisão de turismo, temos apostado na BTL, contratamos empresas para trabalhar e divulgar a imagem de Coimbra na BTL e no estrangeiro.
Todas essas intervenções são fundamentais. Já autorizámos três novos hotéis em Coimbra, o Mosteiro Santa Clara Nova está no programa Revive. Nós precisamos de mais hotelaria. Temos estimulada a restauração, organizado grandes eventos, dos políticos aos musicais, passando pelas múltiplas manifestações culturais e também por eventos corporativos, que têm projetado Coimbra no país e no estrangeiro. Com isso conseguimos citações em revistas internacionais que são muito importantes para trazer turistas. Tudo isso é muito importante para o nosso crescimento.
Como é que este evento pode contribuir para atrair empresas e investimento nesta área?
Como fazemos nos outros clusters, juntar as pessoas do cluster Turismo, que, melhor que nós, sabem o que é preciso e têm ligações e o networking fundamental para promover o crescimento e desenvolvimento do turismo de Coimbra. Queremos trazê-los, pô-los a debater as questões turísticas de Coimbra e da região. Pô-los a debater, a dizerem o que devemos fazer, a reforçarem os laços de networking e a também eles desenvolverem novas iniciativas. Temos que trabalhar com os nossos parceiros para criar os programas que consideram mais prioritários para desenvolver o turismo de Coimbra. Este era um cluster que estava esquecido, mas só as duas presenças na BTL deram um grande incremento turístico à nossa cidade.
Este evento que não esquece as empresas instaladas no concelho. Aliás, haverá mais uma cerimónia de reconhecimento destas empresas. Qual a importância do tecido empresarial implantado?
É cada vez mais importante e está-nos a colocar novos desafios. Desde que tomamos posse na Câmara de Coimbra vendemos todos os espaços empresariais livres, estamos a desenvolver novos espaços empresariais, aumentamos a área do iParque em mais 20 hectares e 11 lotes. Um trabalho imenso para fazer expropriações amigáveis, que vai ter reflexo no próximo mandato. Estamos a desenvolver uma nova área industrial, a promover a construção de mais torres de escritórios. Coimbra infelizmente só tinha uma, há 45 anos.
Em diálogo com os empresários, estamos a procurar áreas para a instalação de empresas que nos procuram, porque nós temos a maior riqueza que qualquer concelho pode ter. Além de qualidade de vida, de um custo de vida muito mais baixo que Lisboa e Porto, além de uma grande universidade, de um grande hospital, produzimos 8.500 talentos por ano, que são os nossos diplomados nas instituições de ensino superior. É isso que nós temos estado a promover junto dos empresários que nos procuram e com isso já conseguimos atrair várias multinacionais e mais virão para se instalarem no nosso concelho.
É mais uma vez um evento que conta com parceiros a Universidade, o Politécnico de Coimbra, o IPN e o iParque. Que mais valia têm estas instituições e qual a importância deste trabalho em rede?
Desde logo, resolvemos a questão de que as instituições de Coimbra estavam de costas voltadas. Trabalhamos em equipa e em parceria estreita com as instituições da cidade e que são fundamentais para o desenvolvimento empresarial e económico, para o crescimento de Coimbra, a criação de emprego, para as sinergias. Muitas das multinacionais que se têm instalado procuram a cooperação da Universidade e do Politécnico para chegarem aos talentos e os cativarem para as suas empresas, procuram parcerias com o IPN para o desenvolvimento de projetos. Ao iParque, demos um aumento da responsabilidade e intervenção, com a alteração dos estatutos, passando a gerir os parques empresariais do concelho. Por isso tem que trabalhar em íntima ligação com os empresários. Esta parceria é absolutamente fulcral para o êxito da Coimbra Invest Summit. Por isso, saudamos a nova filosofia de trabalho, de trabalhar com todos e para todos.
Pedia-lhe uma última mensagem sobre a importância do evento.
As inscrições são gratuitas. Vamos ter múltiplas mesas nos clusters desta 3.ª Coimbra Invest Summit 2025. Uma, onde os novos players vão dizer porque se instalaram e falar da experiência de trabalho em Coimbra. Todos estão satisfeitos e a crescer. Têm-se criado algumas sinergias interessantes entre empresas instaladas no concelho e portanto é um local por excelência de networking empresarial. O nosso desafio é que os empresários do país venham à Coimbra Invest Summit porque vão ter muitas oportunidades de negócio e ter a oportunidade de conhecer esta nova faceta de funcionamento da Câmara, que tem o seu urbanismo em dia e nós sabemos que para um empresário, a rapidez de decisão é absolutamente essencial. Venham até Coimbra porque vale a pena. Coimbra com todas estas estratégias que tem vindo a implementar, vai ser, se não o, pelo menos um dos concelhos mais dinâmicos do desenvolvimento do país. |












