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Livro faz elogio à mulher com reinterpretação literária e visual de musas de Camões

“Sete Mulheres, Sete Musas: Lírica de Camões”, de Alexandra Lourenço Dias é lançado a 4 de junho na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

A universalidade da representação feminina está no centro de uma obra de Alexandra Lourenço Dias, conseguida através da reinterpretação visual e literária de sete musas camonianas, de proveniências variadas e estratos sociais diferentes, revelou a responsável pelo projeto.

"Esta antologia é um elogio à mulher. Em Camões, o amor é amplamente celebrado, mas o que procuro aqui é algo mais específico: celebrar as mulheres da sua lírica — figuras de origens diversas e de diferentes estratos sociais", destacou Alexandra Lourenço Dias.

A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra acolhe, no dia 4 de junho, a apresentação nacional do livro “Sete Mulheres, Sete Musas: Lírica de Camões”, que tem Alexandra Lourenço Dias como autora da ideia do projeto e coordenadora desta antologia.

Em declarações à agência Lusa, a académica explicou que a conceção desta antologia é uma iniciativa do Centro Camões para a Língua e Cultura Portuguesa do King’s College de Londres e surge no âmbito da celebração do quinto centenário do nascimento de Luís de Camões.

"A ideia surgiu da necessidade de trazer a lírica de Camões a um público mais jovem"

“A ideia surgiu da necessidade de trazer a lírica de Camões a um público mais jovem, que tem uma certa resistência à leitura e, sobretudo, à leitura dos clássicos. É uma edição escrita intencionalmente em português, vamos ver se no futuro poderemos fazer a adaptação à língua inglesa, mas a ideia é também trazer a obra em português aos leitores britânicos e à comunidade portuguesa em Londres”, indicou.

De acordo com a diretora do Centro Camões no King’s College London, em funções na capital britânica há cinco anos, Luís de Camões é “um dos poucos grandes poetas europeus do século XVI que escreveu um poema dedicado a uma mulher negra, escravizada – Bárbara”.

“Há até quem afirme que o poeta só poderia estar fora de si por ter escrito um poema a uma mulher negra. Sempre existiu esse choque, essa resistência em aceitar que ela fosse elevada a um ideal de beleza comparável ao de Laura, imortalizada por Petrarca”, acrescentou.

Partindo da lírica camoniana e do lugar central que nela ocupam as figuras femininas, esta obra propõe uma reinterpretação visual e literária de sete musas camonianas — Leonor, Dinamene, Bárbara, Violante, Francisca, Catarina e a Menina dos Olhos Verdes — através do olhar contemporâneo de sete artistas da banda desenhada portuguesa: Amanda Baeza, Daniela Viçoso, Miguel Rocha, Jorge Marinho, José Smith Vargas, Rita Mota e Susa Monteiro, com argumento de Pedro Vieira de Moura.

A obra destaca o papel da mulher — real ou imaginada — na poesia camoniana e celebra a sua pluralidade, dando corpo e voz a figuras que, durante séculos, inspiraram música, literatura e arte em Portugal.

Escolheu especialmente as mulheres da lírica camoniana com nomes atribuídos, permitindo também “a adaptação de uma forma mais fácil para a própria interpretação por parte do artista” de banda desenhada (BD).

“Quis destacar em particular Bárbara, mulher negra e escravizada, Dinamene, de origem asiática; Leonor, camponesa; a Menina dos Olhos Verdes, pelo que representam em diversidade feminina que Camões evocou nos seus versos, independentemente da sua origem ou estatuto, e quer esses poemas revelem amor declarado ou não”, concluiu.

Maio 23, 2025 . 12:25

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