
Projeto de acelerador de partículas conta como apoio de Espanha, Itália, Croácia e, agora, Japão
O Japão aderiu ao projeto de acelerador de partículas IFMIF - DONES, em desenvolvimento em Escúzar, Granada, no sul de Espanha, em cerimónia que coincidiu com o lançamento da primeira pedra de esta infraestrutura científica única no mundo.
O objetivo é explorar os materiais a utilizar para a geração de energia de fusão, limpa e inesgotável.
A primeira vice-presidente do governo de Espanha e ministra das Finanças, María Jesús Montero, presidiu ao ato, juntamente com o presidente da Junta da Andaluzia, Juanma Moreno, que visitaram os edifícios já construídos no parque tecnológico de Escúzar, um município de apenas mil habitantes, onde vai ser construído o futuro acelerador de partículas.
A administração central e a autonómica vão financiar, com o apoio de outros Estados aderentes ao projeto, esta infraestrutura técnico-científica "única no mundo para combater a dependência energética e as alterações climáticas", nas palavras da ministra espanhola da Ciência, Inovação e Universidades, Diana Morant, presente também no ato.
Trata-se um acelerador de partículas linear, único no mundo, cujo objetivo é replicar as condições de radiação neutrónica que se vão produzir nos futuros reatores nucleares de fusão. Aqui, irão ser ensaiados materiais para uso na produção dos reatores da fusão nuclear.
O investimento em causa excede os 700 milhões de euros, que pode aumentar com o eventual avanço em outras tecnologias complementares, disse Montero, que anunciou que o governo discutirá na terça-feira um acordo-quadro para afetar a esta instalação 174 milhões de euros.
O objetivo é explorar os materiais a utilizar para a geração de energia de fusão, limpa e inesgotável
As previsões iniciais apontavam para 2033 como ano de início da exploração científica nas instalações do acelerador.
As energias renováveis e limpas, como a da fusão, são "prioritárias e inegociáveis" para o governo de Espanha, realçou a vice-presidente, que se referiu a esta infraestrutura como um "desafio tecnológico colossal que pode trazer soluções para a dependência das energias fósseis".
Antes da colocação da primeira pedra do edifício central que vai acolher o acelerador, a ministra Morant e o embaixador japonês em Espanha, Takahiro Nakamae, formalizaram a adesão do país nipónico ao projeto, com a assinatura de um memorando de cooperação entre os dois Estados.
O projeto conta também com o envolvimento da Itália e da Croácia.
Moreno quantificou em seis mil milhões de euros o impacto económico estimado do projeto, que "parecia "ciência ficção há poucas décadas, mas que hoje avança para se converter em uma realidade para a humanidade".











