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As obras de «A Fábrica das Sombras»

Até 5 de julho, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, pode visitar a exposição «A Fábrica das Sombras», apresentada no âmbito do Anozero’25 Solo Show. A mostra propõe um percurso imersivo pelo universo sensorial de Janet Cardiff & George Bures Miller, dois dos mais influentes artistas contemporâneos no campo da arte sonora e multimédia.

Reconhecidos internacionalmente pelas suas instalações site-specific e pelas experiências áudio e vídeo que criam, os artistas — que vivem e trabalham no Canadá — apresentam 13 obras que ocupam e transformam o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, desafiando a perceção do espaço e ativando novas camadas de escuta e interpretação.

A exposição pode ser visitada de quarta a domingo, das 11h00 às 19h00, com entrada livre.

Esta semana, o Programa Educativo Anozero propõe dois encontros com o público: visita orientada com a artista Inês Moura, sexta-feira, 16 de maio, às 16h, e visita com a equipa de mediação no dia 17, sábado, também às 16h. Entrada livre.

Semanalmente, destacamos uma das obras que compõem «A Fábrica das Sombras» — num convite contínuo à descoberta desta exposição única.

The Infinity Machine, 2015

Janet Cardiff & George Bures Miller

Inspirados pelo conceito de «música das esferas» de Pitágoras, elementos visuais e sonoros combinam-se em The Infinity Machine para uma experiência sensorial que transcende o som, o espaço e o tempo. Segundo esta teoria, corroborada pelas naves espaciais Voyager I e II da NASA, o movimento dos corpos celestes cria harmonias sonoras que, embora inaudíveis no espaço, resultam em vibrações cuja frequência é audível pelo ouvido humano. Foi a partir desta ideia que Cardiff e Bures Miller trabalharam um conjunto de sons, com origem nas próprias sondas Voyager, que, entre a veracidade e a bruma, parecem ganhar forma no espaço e envolver-nos.

A experiência complementa-se com o arranjo rotativo de cento e cinquenta espelhos de dimensões variáveis. Agrupados de maneira ligeiramente aleatória, estes inclinam-se, virados para o exterior, tecendo uma rede de reflexos em todas as direções. Convidado a fazer parte desta dança hipnótica, na qual não consegue encontrar mais do que vislumbres do seu reflexo, encontra-se o espectador, à deriva, a meias com um abismo de luz e sombras em constante mutação, e um mapa sónico envolvido em mistério e beleza. É como ser confrontado com a sua não existência — ou insignificância —, como se caísse num vazio sem fim, sem saber onde — ou se — irá aterrar.

Um microcosmo surrealista, do tamanho do universo — o constelar e o dos sonhos —, revestido a assombro e fascínio, que nos leva a refletir na cronologia, no sentido que lhe atribuímos e no lugar que nos cabe.

 

Desde a sua fundação em 2015, o Anozero — Bienal de Coimbra tem afirmado um modelo único de colaboração entre o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra, trazendo à cidade exposições e artistas que desafiam as formas tradicionais de pensar, fazer e experienciar arte.

 

 

Maio 16, 2025 . 09:02

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