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Vasco Cunha tem marcas suas por toda a cidade. Morreu aos 91 anos

O funeral realiza-se hoje, às 15h30, da Igreja de Nossa Senhora de Lurdes para jazigo de família no cemitério da Conchada

Faleceu, domingo à noite, o arquiteto Vasco Cunha, aos 91 anos. Nascido em Angola em 1933, foi em Coimbra que desenvolveu grande parte da carreira, tendo sido, por exemplo, o autor da proposta para a criação do Prémio Municipal de Arquitetura Diogo de Castilho, instituído em 1995, e um dos responsáveis pela escolha, em fase de concurso, do projeto ganhador da então denominada Pon­te Europa, agora Rainha Santa Isabel .

«Ao longo de cerca de cinco décadas de prática profissional, construiu uma imensa obra, sobretudo na cidade de Coimbra, mas também por todo o país», destaca uma nota de pesar do Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra (DARQ), que publicamos na íntegra na rubrica Fala ao Leitor.

«Durante as décadas de 1980 e 1990, teve uma participação importante na criação do Núcleo de Arquitetos da Região de Coimbra (NARC), constituído como uma estrutura local da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, e criado inicialmente como Delegação Distrital da então Associação dos Arquitetos Portugueses», recorda o DARC na mesma publicação, lembrando que foi «na sua condição de presidente do NARC que, no final da década de 1980, desempenhou um importante papel e motivou a classe dos arquitetos locais a apoiar ativamente a criação de um curso de Arquitetura na Universidade de Coimbra».

Vasco Cunha foi deputado da Assembleia Municipal de Coimbra e vereador da Câmara de Coimbra, na década de 90. Foi ainda presidente de Junta de Freguesia de S. Martinho de Árvore.

A 28 de outubro de 2017, a autarquia e o Núcleo de Arquitetos da Região de Coimbra promoveram uma homenagem ao arquiteto, que, ao longo de 50 anos, tem 857 projetos registados. São da sua autoria projetos como o do edifício Panomara, na Rua de Aveiro, o da então Sapataria Romeu, na Rua Visconde da Luz, a Casa Joaquim do Patrocínio Tavares, na Rua Afonso Henriques, a Urbanização Quinta da Estrela, na Arregaça ou a Casa dos Pobres, em S. Martinho do Bispo, entre muitos outros projectos de habitação unifamiliar, coletiva e social, alguns destes últimos realizados pro bono.

Manuel Machado, presidente do município na altura, sublinhou «o excelente vereador» que foi Vasco Cunha (1989 a 1992) e recordou a ajuda que deu, em reuniões tidas em Lisboa, para que a obra da Ponte Rainha Santa se tornasse uma realidade.

Em junho de 2021, o arquiteto Vasco Cunha doou o seu espólio profissional ao Arquivo de Arquitetura da Universidade de Coimbra (AAUC). A juntar a isso, quase duas décadas do trabalho por si desenvolvido em Coimbra (entre 1961 e 1979) foi o tema de uma investigação de Martinho Araújo para a sua tese de doutoramento.

Em outubro de 2022, acompanhado de muitos familiares, viu o seu nome colocado numa Praceta no Coimbra IParque.

Em dezembro de 2023, no ano em que Vasco Cunha completou 90 anos, o AAUC lançou um Mapa de Arquitetura - Obra de Vasco Cunha na Cidade de Coimbra, neste caso dedicado ao trabalho realizado entre 1960 e 1970. Tratou-se do Volume I de um mapa que dá a conhecer uma década de arquitetura de Vasco Cunha em Coimbra.

Ontem, o executivo municipal aprovou, por unanimidade e na sequência de proposta do presidente José Manuel Silva, um voto de pesar.

Casado com Adelina Maria Areosa de Almeida Carvalho Antunes da Cunha, foi pai de sete filhos.

Maio 13, 2025 . 11:30

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