
Seis elementos do “gang” em prisão preventiva
Dos 13 detidos pela Polícia Judiciária (PJ) na operação “Gambérria”, efetuada na semana passada, seis ficaram em prisão preventiva a aguardar julgamento por ordem do juiz de instrução criminal. Quatro estão em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica e os restantes três foram restituídos à liberdade, com obrigação de se apresentarem três vezes por semana às autoridades.
Em prisão preventiva estão os cabecilhas desta rede organizada de auxílio à imigração ilegal, que terá garantido a “legalização” de muitos milhares de imigrantes, particularmente oriundos do Brasil e do Hindustão. Entre eles estão dois suspeitos detidos pela Polícia Judiciária na região Centro, bem como a funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a “toupeira”, como a definiu Avelino Lima, diretor da Polícia Judiciária. Era «uma pedra fundamental», tendo em conta as funções que desempenhava, e que lhe permitiam «dar veracidade a factos falsos», disse ainda.
Em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, estão outros dois detidos na região de Coimbra, onde alegadamente terá começado a funcionar uma “célula” de apoio à imigração, que acabou por se estender a toda a região Centro e à Zona da Grande Lisboa, funcionando de forma articulada. De Lisboa é, precisamente, uma advogada, com escritório na Mouraria, que também terá assumido um papel importante, na apresentação de documentação às autoridades, que também se encontra em prisão domiciliária.
O grupo, com uma dimensão bastante significativa e uma organização meticulosa, funcionava nos países de origem dos imigrantes através das redes sociais, fazendo passar a mensagem de «possibilidade e facilidades» para imigrar, mediante o pagamento de um valor entre os 15 e os 17 mil euros. De forma articulada, o grupo garantia tudo quanto era necessário, desde contrato de trabalho, número de identificação fiscal, número da Segurança Social, cartão de utente do SNS, tradução e certificação de registos criminais, abertura de contas bancárias e atestados de residência em Portugal.
Um esquema de que terão beneficiado «muitos milhares» de imigrantes, muitos dos quais nunca terão “posto o pé” em Portugal, uma vez que o seu objetivo era aceder a outros países europeus. Um esquema ardiloso, que terá começado a funcionar em 2022 e permitiu ao grupo, constituído por sete portugueses e seis estrangeiros, alguns de origem nepaleza, angariar uma verdadeira fortuna. A PJ apreendeu, em dinheiro vivo, cerca de um milhão de euros e há 35 contas bancárias congeladas e foram arrestados seis imóveis. Na mega operação, que envolveu cerca de 200 inspetores, foram apreendidas 11 viaturas, algumas de alta cilindrada, duas presas de elefante, com cerca de 50kg, bem como equipamentos informáticos e um «enorme acervo» de documentação utilizada nos processos de “legalização”, entre os quais um “selo branco”.









