
David Caiado: “Com um bocadinho de sorte e sem algumas condicionantes, podíamos estar a lutar pela subida”
David Caiado, diretor desportivo da Briosa faz, na rubrica Entrevista da Semana do Desporto no nosso Jornal, que “não pode ser positivo” da temporada, fundamenta escolha inicial de Pedro Machado, fala de jogadores com a “cabeça fora” do clube no arranque da época e sustenta que o plantel teria capacidade para lutar pela promoção ao terceiro patamar do futebol nacional.
Que balanço faz desta temporada?
O balanço não pode ser positivo. É óbvio que temos de reconhecer que falhámos o objetivo principal que era estar na Fase de Subida novamente, onde estivemos no ano passado. Foi uma época desportiva que iniciámos com dificuldades, com poucos jogadores, com jogadores que, fruto do que foi a época anterior, tinham bastante mercado e que estavam com a cabeça mais fora da Académica do que dentro do clube. Foi um mercado, também, que atrasou um pouco com dificuldades iniciais na contratação de jogadores e isso condicionou o início de época e, claro, o trabalho do Pedro Machado. À medida que o mercado foi avançando fomos conseguindo construir um plantel que, para mim, estaria perfeitamente capacitado para estar numa Fase de Subida e é um dos melhores da Liga 3. Fica o sentimento de frustração, o assumir da responsabilidade que o principal objetivo falhou num clube com a grandeza da Académica e que tínhamos, num ano em que acho que a Liga 3 nos permitiria alcançar o objetivo da subida. Fica a sensação de que com mais um bocadinho de sorte e sem algumas condicionantes que tivemos podíamos estar nessa discussão.
O que falhou para a equipa não chegar à Fase de Subida?
Começámos a pré-época com nove jogadores, seis deles tinham mercado e inconscientemente, os jogadores, por muito que gostem da Académica e por muito que o clube os tratasse bem, eles atingiram um patamar de desenvolvimento que o clube não conseguia acompanhar. Uns deles conseguimos vender, conseguimos realizar um encaixe financeiro importante que acabou por ser o recorde da Liga 3 e está perto de meio milhão de euros para um clube como Académica, é sempre importante. No entanto, depois também temos a outra parte que é de ter aqui alguns jogadores que inconscientemente, repito, podem não dar naquela altura o máximo em prol do clube e creio que isso condicionou bastante o trabalho inicial do Pedro Machado. O mercado também atrasou bastante e não estávamos a conseguir contratar naquela fase também por alguma limitação financeira, mas acima de tudo porque o mercado estava a ser difícil. E quando se começa uma época em que alguns, ou a maioria dos jogadores não estão com a cabeça na Académica, é muito difícil organizar-se e montar-se uma equipa para depois competir logo no início de agosto. Acho que a competição da Liga 3 está mal organizada. A Liga 3 não pode ser o primeiro campeonato a começar em Portugal porque tem uma fragilidade maior no mercado. Não pode ser que em agosto haja cinco jogos e em janeiro haja mais quatro. Estão nove jogos em dois mercados, onde há maior fragilidade das equipas das ligas não profissionais. E existam, depois, nove jogos em setembro, outubro, novembro e dezembro. Seria preferível começarmos o campeonato um bocado mais tarde. Não é uma desculpa. É igual para todos. No nosso caso foi prejudicial porque nós e o Lusitânia dos Açores fomos as únicas equipas da Liga 3 que tínhamos jogadores com mercado. O Lourosa, que subiu, todos os jogadores que lá estavam, nenhum deles tinha mercado e todos tinham sido contratados para este ano.
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