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Direção do GDR Chã sente-se a “remar contra a maré”

Na presidência da coletividade há 26 anos, Fátima Trigo continua a arregaçar as mangas para “preservar e salvaguardar” o associativismo na Figueira da Foz

O Grupo Desportivo e Recreativo da Chã, em Tavarede, já viveu dias melhores. A associação que nasceu há 49 anos por causa do futebol, sente-se nesta altura a «remar contra a maré». Quem o afirma é Fátima Trigo, presidente da coletividade, que se sente «desanimada e injustiçada» após a deliberação do Conselho de Disciplina e Arbitragem da Fundação Inatel, que suspendeu a equipa de Tavarede por um jogo no Campeonato Distrital de Coimbra. Em causa estão incidentes ocorridos a 30 de março no Estádio Municipal José Bento Pessoa, na Figueira da Foz, no fim do jogo entre o GDR Chã e o Paranhos da Beira.

«Nada justifica a violência no desporto», afiança Fátima Trigo. Contudo, considera «inaceitável» a sanção aplicada à sua equipa, não compreendendo porque é que os adversários não tenham sofrido o mesmo castigo. «Tenho mágoa pelo que aconteceu, pois somos uma equipa que faz parte do histórico do futebol de onze da Inatel», sublinha a dirigente, garantindo que vai continuar a arregaçar as mangas em prol da associação da qual é presidente há 26 anos, apesar das adversidades.

«Não tem sido fácil. Não é só difícil arranjar corpos diretivos como também, desde a pandemia, é difícil trazer as pessoas para as coletividades», lamenta Fátima Trigo, dando conta que a sua direção tem tentado reinventar-se. «Temos aulas de defesa pessoal três vezes por semana e aulas de dance flow, danças latinas e zumba uma vez por semana cada uma. São entidades externas, mas que ajudam a dar outra dinâmica à coletividade», destaca.

A Covid-19 também influenciou o funcionamento normal do bar da associação. «Só abrimos às sextas-feiras e nos dias de eventos, pois percebemos que depois da pandemia já não valia a pena estar aberto todos os dias», justifica. Enquanto vice-presidente da Associação das Coletividades do Concelho da Figueira da Foz, Fátima Trigo sabe que há associações cuja atividade corre melhor do que a outras. No caso do GDR da Chã sente que é uma luta inglória.

Preservar o associativismo

A situação é pior para as coletividades que estão próximas do centro da cidade, como é o nosso caso. Há mais oferta, há mais atividades na Figueira e ninguém quer ir para as coletividades», queixa-se a dirigente, dando conta que «a parte associativa não está na mente das pessoas hoje em dia». E é nesse sentido que vai revelando algum desalento. «Damos o nosso tempo, o nosso trabalho e depois não há reconhecimento», critica Fátima Trigo.

Porém, no que depender de si, pretende «preservar e salvaguardar» o associativismo. «Estamos a preparar atividades para levar as escolas às coletividades e pode ser que fique uma sementinha nos alunos do 1.º ciclo», refere, esperançosa sobre as iniciativas a desenvolver no âmbito das comemorações do Dia Nacional das Coletividades, que se assinala a 31 deste mês.

Atualmente com cerca de 280 sócios, o GDR Chã não se destaca só pelo futebol. Nas suas valências tem ainda escola de música e um grupo de dança. Entretanto, há cerca de três anos que a associação de Tavarede passou a ter como grupo residente, na área do teatro, o Pateo das Galinhas.

A caminho das comemorações do 50.º aniversário, a direção promete fazer algo diferente, com pompa e circunstância, para assinalar meio século desde a fundação da associação (1 de maio de 1976). Este ano, no 49º aniversário, realizou um almoço-convívio entre sócios e amigos, com música, dança e magia à mistura, onde não faltou a visita das Mulheres de Tavarede.

Maio 6, 2025 . 09:00

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