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Livro do Apocalipse de Lorvão regressou a casa e pode ser visto no Mosteiro

Até 18 de maio, o Mosteiro de Lorvão acolhe uma exposição daquele que é considerado um dos mais belos manuscritos medievais do mundo, copiado no ano de 1189

O manuscrito do Apocalipse do Lorvão está de regresso à casa que o viu nascer e pode ser visto até 18 de maio, no Mosteiro de Lorvão, em Penacova.  A abertura da exposição inédita, daquele que é considerado um dos mais belos manuscritos medievais do mundo, decorreu na tarde de ontem, numa mostra que é acompanhada de ciclos de concertos, palestras e oficinas didáticas para crianças. Antes da visita ao documento produzido no Mosteiro do Lorvão, e que está guardado sob fortes medidas de segurança, Luís Filipe Santos, diretor-geral da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), realçou a importância de ali estar a acompanhar «um dos maiores tesouros do património cultural e espiritual: o manuscrito do Apocalipse do Lorvão, neste seu regresso à casa que o viu nascer».

Considerado um dos mais belos manuscritos medievais do mundo, copiado no ano de 1189 por um monge de nome Egeas, o Apocalipse do Lorvão regressou a casa, «depois de um dos maiores vultos da historiografia moderna, Alexandre Herculano o ter depositado na Casa da Memória de Portugal em meados do século XIX», sublinhou Luís Filipe Santos. «Este não é um livro qualquer; é uma janela para a mente e a fé de uma época distante, um elo tangível com os nossos antepassados, uma obra-prima da arte medieval e um documento de valor inestimável para a compreensão da história, da arte e da religião em Portugal e na Europa», disse ainda o diretor-geral na ocasião.

Produzido no Mosteiro do Lorvão «este manuscrito é um testemunho da vitalidade cultural e intelectual da época. As suas iluminuras, com a sua expressividade dramática e simbolismo rico, não são apenas decorações; são interpretações visuais do texto bíblico do Apocalipse, revelando as crenças, os medos e as esperanças da sociedade da época», fez questão de sublinhar Luís Filipe Santos na sua intervenção.

A técnica artística, os pigmentos utilizados e o próprio estilo das ilustrações, nas palavras do diretor-geral da DGLAB, «oferecem pistas cruciais sobre as influências artísticas e as práticas monásticas daquele período». «Investir na sua conservação e divulgação é investir no nosso património comum, promovendo o conhecimento e a valorização da nossa rica herança cultural. Que este regresso a casa perpetue esta história», concluiu Luís Filipe Santos.

«Um momento único para Penacova e para o Mosteiro de Lorvão», afirmou Álvaro Coimbra, edil de Penacova, lembrando a época em que foi escrito – 1189 – em plena Idade Médica e quando se vivia uma época muito conturbada. «Portugal era nação há muito pouco tempo» quando o manuscrito do Apocalipse do Lorvão foi produzido e apresenta mais de 200 fólios (páginas) e por isso, ver ao vivo este documento histórico, no seu regresso a casa, é uma oportunidade rara e única até ao momento.

Fábio Nogueira, curador da exposição, fez uma breve explicação na visita ao documento, realçando que a página aberta para a mostra não seria tão nobre quanto esperado e acabou por ser «a mais nobre». Na imagem é possível ver que o fólio aberto conta uma história e que são usadas quatro cores distintas: amarelo, vermelho, laranja e preto.

Integrada nesta celebração do património e da memória, a iniciativa conta ainda com um ciclo de concertos hoje e nos dias, 9 e 16 de maio, às 21h30, e um ciclo de palestras nos dias 3 (sábado), 10 e 17 de maio, às 15h30, com entrada livre para todos os eventos. Haverá também oficinas didáticas especialmente dedicadas ao público escolar e infantil, promovendo o contacto direto com o património através de atividades educativas e lúdicas.

O acesso à exposição será feito através de um bilhete único no valor de 8 euros, que garante entrada em três espaços: a exposição do Livro do Apocalipse, o Centro Interpretativo do Mosteiro de Lorvão e o Centro Interpretativo do Palito. Os residentes no concelho de Penacova têm condições especiais de acesso.  Recorde-se que, este ano, assinalam-se os 10 anos da inscrição do Livro do Apocalipse de Lorvão no registo Memória do Mundo da UNESCO.

Maio 2, 2025 . 10:40

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