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As obras de «A Fábrica das Sombras»

A exposição «A Fábrica das Sombras», da dupla canadiana Janet Cardiff & George Bures Miller, escolhidos para a edição de 2025 do solo show, exposição monográfica que o Anozero promove entre bienais, continua patente no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, de quarta a domingo, 11h00–19h00, com entrada livre.

Esta semana, o Programa Educativo Anozero Solo Show’25 propõe dois encontros com o público — visita orientada com o artista Jorge Cabrera, sexta-feira, 2 de maio, às 16h, e visita com a equipa de mediação, no sábado, 3 de maio, também às 16h — e um Happening, por O Teatrão, no domingo, 4 de maio, às 17h, Todas as iniciativas são de entrada livre.

Imbalance.1 (Wings), 1994

George Bures Miller

Um suporte metálico sustenta um monitor que se encontra ligado a um ecrã de retroprojeção. Por baixo deste, uma lâmpada balança. Em cada um dos ecrãs, uma mão duplica-se, para emparelhar com a sua semelhante e criar a figura ilusória de duas asas em voo suspenso. O movimento alado oscila entre a confiança e a hesitação. Enquanto isso, a luz projetada pela lâmpada desenha um conjunto de sombras pendulares, que provocam no espectador uma sensação estranha de descentramento ou desequilíbrio. No seu todo, a moção das sombras finas e do bater das asas forma a imagem de uma ave enjaulada que mais não pode do que se manter ali, num limiar frágil entre a quietude e a expressividade.

Em comum com outras obras da série, Imbalance.1 (Wings) não pretende focar-se em experiências científicas, tão-pouco proclamar proposições baseadas na reprodução de resultados quantitativos, mas, sim, funcionar como ponto de partida para um experimento e uma experiência capazes de suscitar sentimentos ambíguos entre a tensão, o medo e a excitação. Nesta sala escurecida, a inconstância entre estados e os média existentes, aparentemente descontrolados, formam o repto de Bures Miller, que conjura experiências comuns ao desequilíbrio, ainda que eventualmente se compreenda a ordem e o domínio, quase científicos, instituídos pelo artista.

Feita à medida da sua experimentação, esta escultura cinética não visa descrever o mundo percetivo, antes reorganizá-lo nas suas várias leituras e possibilidades.

Desde a sua fundação em 2015, o Anozero — Bienal de Coimbra tem afirmado um modelo único de colaboração entre o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra, trazendo à cidade exposições e artistas que desafiam as formas tradicionais de pensar, fazer e experienciar arte.

 

 

 

Abril 30, 2025 . 09:06

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