
As obras de «A Fábrica das Sombras»
Nos próximos dias, o público poderá participar em diversas atividades complementares, também de acesso gratuito: no dia 25 de abril (sexta-feira), às 16h00, terá lugar a conversa «Projetos e comunidades: arte comprometida com o social», com Cláudia Pato de Carvalho; no dia 26 de abril (sábado), às 16h00, realiza-se uma visita acompanhada pela equipa de mediação; e, ainda no sábado, entre as 14h30 e as 17h30, decorre o workshop «Percursos como construção em arte», orientado por Sónia Salcedo del Castillo (participação: cinco euros, com inscrição em bit.ly/Anozero25ProgramaEducativo).
The Cabinet of Curiousness, 2010
The Cabinet of Curiousness reaviva o arquivo de madeira antigo, objeto familiar a todos nós. Na sua qualidade de referencial vintage, este preserva uma capacidade inerente de contar histórias — um certo sentido de teatralidade e da memória do movimento, de abertura e fecho dos seus vários compartimentos, e a consequente intenção de esconder e revelar. É este sentido memorial que torna esta escolha algo não inocente. Interagir com a obra é, assim, uma forma de cada espectador aceder às suas próprias recordações, e acrescentá-las como novo elemento de estratificação à narrativa já presente.
À semelhança de outras obras, The Cabinet of Curiousness nasce da participação ativa do espectador. Desta vez, uma composição que ganha vida sempre que os visitantes interagem, abrindo uma ou várias das gavetas, cada uma delas contendo um aparato sonoro que emite um áudio diferente, cuja origem remete para os arquivos sonoros e pessoais de Cardiff e Bures Miller. Tal como um instrumento preparado para ser tocado, o som que surge é proporcional à duração e à coordenação deste gesto: ora claro, ora uma cacofonia de melodias, composições musicais ou vozes monologantes, quando se abrem várias gavetas em simultâneo. Cria-se, então, uma atmosfera de justaposição surrealista, na qual o público se sente envolvido por um espaço sonoro com tanto de pessoal como de abstrato. Ambiente oscilante entre o ruído, a harmonia e o silêncio, tal como se constroem os meandros da anamnese e da memória.
Desde a sua fundação em 2015, o Anozero — Bienal de Coimbra tem afirmado um modelo único de colaboração entre o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra, trazendo à cidade exposições e artistas que desafiam as formas tradicionais de pensar, fazer e experienciar arte.











