
Desabamento de piso de escola primária matou 36 crianças e 8 adultos
A tragédia, que consternou todo o país, aconteceu a meio da tarde de 8 de novembro de 1936, Dia da Imaculada Conceição, na escola primária da vila de Porto de Mós, distrito de Leiria.
No salão do primeiro andar do edifício escolar estavam cerca de 400 pessoas, incluindo numerosas crianças de Leiria, Batalha, Alcobaça, Caldas da Rainha, Torres Vedras e outras povoações da região, para assistir a uma sessão promovida pela Liga da Ação Católica de Porto de Mós para a Juventude Católica, nas celebrações religiosas de Nossa Senhora da Conceição.
O padre José Galamba de Oliveira, professor do Seminário de Leiria, iniciara às 16h00 a sua conferência sobre a padroeira de Portugal, escutado religiosamente por uma sala repleta, quando «de súbito o sobrado rangeu, rápido, quase fulminante, ruiu e veio cair sobre o pavimento do rés-do-chão», lia-se na notícia publicada na primeira página do jornal de 10 de dezembro.
Socorrendo-se também da descrição feita pelo «enviado especial do nosso prezado colega Jornal de Notícias», o Diário de Coimbra informou os seus leitores que «a parede do lado direito do edifício desmoronou-se seguidamente e os destroços foram cair com tremendo fragor sobre aquela massa humana que gritava pavorosamente e se contorcia com dores horríveis». «O peso brutal de todos aqueles destroços fez, por sua vez, abater o pavimento do rés-do-chão e uma outra parte do edifício despenhou-se ainda sobre aquele montão de gente, de pedras e de caliça. As centenas de pessoas que assistiam à conferência ficaram sob os escombros, debaixo do madeiramento, pedregulhos enormes, pequenas vigas de ferro, num verdadeiro inferno», prosseguia o relato.
Do desastre na Escola Primária de Porto de Mós resultaram 44 mortos e cerca de 200 feridos, «alguns dos quais de bastante gravidade».
Orador da trágica conferência era o padre Galamba de Oliveira, historiador das aparições de Fátima
«Segundo o apuramento feito no número das vítimas, contam-se: do sexo feminino, duas de 7 anos; quatro de 8; seis de 9; 10 de 10; uma de 11; três de 12; uma de 13; duas de 14; uma de 20; uma de 28; uma de 35; uma de 48; uma de 54 e duas de 60. Do sexo masculino: uma de 8 anos; uma de 10; uma de 11; duas de 13; duas de 15 e uma de 38», adiantou o Diário de Coimbra, ao noticiar no dia 12 que o funeral das 36 crianças e oito adultos foi «uma homenagem de profunda saudade, não só da população de Porto de Mós que quase toda ali perdeu um ente querido, mas de toda a gente do distrito, que se considera de luto e que jamais apagará da memória o infausto acontecimento que de norte a sul do país causou enorme emoção».
«No fúnebre cortejo incorporaram-se o sr. ministro da Educação Nacional, o reverendíssimo bispo de Leiria, representantes da Assembleia Nacional, autoridades civis e militares, juntas de freguesia, membros da União Nacional, etc. Alguns dos feridos, que já tiveram alta do hospital, contam horrorizados algumas cenas da tremenda tragédia em que se viram envolvidos, que a tantas vítimas deu causa», relatou o jornal, informando que o ministro das Obras Públicas e Comunicações nomeara «o engenheiro inspector superior Raul da Costa Couvreur, do Conselho Superior das Obras Públicas, para inquirir sobre o aspeto técnico das causas do desastre ocorrido».
O Diário de Coimbra terminava a notícia associando-se «às manifestações de pesar pelo lamentável acontecimento que enlutou Porto de Mós».













