
Preço das rendas trava projeto para sem-abrigo
Foi com entusiasmo que a delegação da Figueira da Foz do Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA) viu ser aprovada, no início do ano, a candidatura submetida através da Segurança Social Direta para a criação de apartamentos partilhados. Em causa estava um protocolo que iria promover o acesso a habitação para pessoas em situação de sem-abrigo - um máximo de cinco pessoas - e, assim, dar resposta social ao trabalho desenvolvido pela associação. No entanto, este acabou por não se concretizar e a emoção esmoreceu.
«Infelizmente o projeto não foi para a frente. Até já tínhamos a mobília, mas não conseguimos encontrar um apartamento para o efeito», revelou Sara Oliveira, em declarações ao Diário de Coimbra. De acordo com a coordenadora do CASA, o problema esteve no valor cobrado para arrendamento na habitação. «O preço da renda para um apartamento T3 está a mais de 700 euros. Ora, nós não temos arcaboiço financeiro para suportar tudo. Não conseguimos fazer face à renda e ao técnico. Ou pagávamos a renda ou pagávamos ao técnico», explicou a responsável do centro de apoio, justificando que «é impossível avançar sozinhos».
Entretanto, o CASA continua a desenvolver o seu trabalho e a funcionar no mesmo local - no n.º 33 da Rua dos Bombeiros Voluntários - enquanto aguarda pela mudança de instalações. Recorde-se que a decisão da Câmara Municipal surgiu após a verificação de problemas estruturais daquele edifício e, ao que tudo indica, pretende ceder um espaço para acolher a instituição na Vila Robim, em Tavarede. «Ainda não há novidades. Sabemos que o espaço novo está em avaliação e aguardamos por mais informações», disse Sara Oliveira, comentando que este tem sido um «processo complexo».
Preço das rendas inviabiliza que o CASA possa prosseguir com o projeto que ajuda sem-abrigo
A responsável não esconde a sua «preocupação» em relação a esta mudança de local, uma vez que haverá famílias que não conseguirão acompanhar a instituição. «Nestes casos estamos já a encaminhar famílias para o apoio alimentar, só que elas estão a voltar porque não têm resposta e, claro, que isto é algo que nos preocupa», lamentou.
Desde o início de 2024, o CASA começou a disponibilizar um apoio mais diversificado. Não só com a entrega de bens alimentares (com registo mensal, semanal e diário) e a doação de roupa, brinquedos e utensílios de casa, mas também com a disponibilização de um balneário e de uma lavandaria social, bem como a utilização de cacifos para a guarda de pertences.
A par das respostas a necessidades básicas, é realizada uma intervenção psicossocial, em que se realizam atividades lúdico pedagógicas. Além disso, o CASA está a colaborar com a Associação Fernão Mendes Pinto no desenvolvimento do projeto ECOS, que tem o intuito de dinamizar, até 2027, várias atividades que visam criar maior probabilidade de inserção na sociedade e no mercado de trabalho dos indivíduos que se encontram em situação de sem abrigo.











