
Livro do Apocalipse de Lorvão regressa a “casa” 172 anos depois
Foi há 172 anos, em 1853, que Alexandre Herculano, percebendo a importância do documento que encontrara, levou o “Apocalipse de Lorvão” para o Arquivo Nacional Torre do Tombo, em Lisboa. Agora, aquele que é um dos mais importantes manuscritos da época medieval regressa a “casa”, ao Mosteiro de Lorvão, para uma exposição que é classificada como única e irrepetível. Uma oportunidade para conhecer uma obra de 1189 e que foi inscrita no registo da Memória do Mundo pela UNESCO, em 2015. A exposição “O Livro do Apocalipse regressa a Lorvão” decorre de 1 a 18 de maio, no Mosteiro de Lorvão, e será acompanhada de um programa que inclui conferências e música erudita.
Falemos do livro: 121 fólios e 66 iluminuras ricas em amarelos, vermelhos, laranjas e pretos (as únicas cores presentes na obra) a retratarem não apenas episódios bíblicos, como também cenas do quotidiano daquele tempo. Em bom estado de conservação, nunca - de acordo com a organização da mostra - terá recebido qualquer tipo de restauro profundo e, ao seu conjunto, falta apenas uma página. Na exposição – para ver e não tocar – estará exposta a página 153, escolhida por ser a única que tem apenas iluminuras, onde predomina a figura de um dragão.
A figura do dragão deu, de resto, o mote para a conceção de toda a mostra: o visitante é conduzido por um labirinto de pano em espiral, simbolizando a cauda do dragão, numa zona de baixa luminosidade (imposição pela Torre do Tombo) que leva até ao livro que está exposto. Depois, o visitante é levado para uma área expositiva onde estão réplicas de quatro iluminuras e o enquadramento sobre o Apocalipse de Lorvão.
Segundo a organização, a cargo do Município de Penacova, a exposição obedece a rigorosos critérios impostos pela Torre de Tombo. A título de exemplo, refira-se que a sala onde o livro estará exposto está sujeita a temperatura e iluminação controlada e segurança 24 horas por dia.

Exposição apresentada por Mauro Carpinteiro, Álvaro Coimbra e Fábio Nogueira
Tesouro da memória do mundo
«É uma oportunidade única e, talvez, irrepetível», considerou ontem Álvaro Coimbra, presidente da Câmara de Penacova, ao apresentar a exposição que leva ao Mosteiro de Lorvão «um dos manuscritos medievais mais importantes do mundo». «É um tesouro não só do país, mas da memória do mundo, como é classificado pela UNESCO, que não deve estar toda a vida enclausurado na Torre do Tombo», considerou ainda o autarca.
“O Comentário ao Apocalipse” foi escrito originalmente pelo beato de Liébana, em 786, nas Astúrias, e copiado em Lorvão, pelo monge beneditino Egeas, em 1189. «Ter a possibilidade de expor o Livro do Apocalipse no local onde foi copiado e de o apresentar com rigor científico e sensibilidade expositiva, é um privilégio, é um tributo ao manuscrito, à sua história e às pessoas que o preservaram», considerou Fábio Nogueira, curador da exposição.
Já Mauro Carpinteiro, responsável da empresa municipal de turismo Penaparque, destaca a dimensão turística e educativa do evento, informando que está a ser preparado um programa que permita às escolas a descoberta deste tesouro. «Esta será uma experiência imersiva para visitantes de todas as idades, reforçando Lorvão como destino cultural de excelência», afirmou.











