
Abril no Feminino convida à valorização do papel da mulher
O projeto cultural Abril no Feminino, que ontem iniciou a 4.ª edição, representa «um olhar renovado sobre o contributo das mulheres no mundo das artes», mas convida também à reflexão e valorização do papel das mulheres na sociedade. Quem o diz é o vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, sem esconder preocupação com episódios como o que foi protagonizado por três jovens, acusados de violarem uma rapariga, de terem filmado e divulgado essa violação.
«Estamos a assistir a fenómenos preocupantes nas redes sociais com jovens influencers a incitarem outros jovens a desvalorizarem o papel da mulher», lamentou Francisco Veiga na inauguração da exposição “O Vaguear do Olhar”, no Museu Municipal - Edifício Chiado.
«Em pleno século XXI, parece impossível que este fenómeno esteja a acontecer. Mas, na verdade estes comportamentos existem e são cada vez mais. Daí a importância de eventos como este que trazem para a ordem do dia temas que nunca perdem a atualidade e que precisam de ser relembrados e trabalhados junto da comunidade e, sobretudo junto das gerações mais novas», reforçou o autarca a abrir o primeiro dos 16 eventos que constituem a programação de 2025 de Abril no Feminino.
Com mais de 40 obras - pintura, desenho, escultura, vídeo, instalação e fotografia -, a exposição reúne peças da coleção privada da AA Contemporary Art e acervos do município e do Centro de Arte Contemporânea.
Na inauguração, Margarida Mendes Silva, a criadora do Abril no Feminino, evento com produção da Cultura e Risco - Associação Cultural, recorda que há dois anos desafiou a Câmara de Coimbra a acolher no Museu Municipal - Edifício Chiado uma exposição que cruzasse obras do acervo da autarquia com obras da AA Contemporany Art Collection.
Com a luz verde da Câmara, Margarida Mendes Silva convidou Ana Antunes para curadora, salientando que «o ponto de partida» seria o trabalho artístico das mulheres.
«Este desafio não foi inocente», assume Margarida Mendes Silva, ao lembrar que outra das ideias que apresentou ao município foi a reconversão da zona entre o edifício da PSP, na Baixa, e a Manutenção Militar como espaço privilegiado para as artes e para a cultura. «Assim haja vontade política», referiu.
«Será que a arte tem género?». Este foi também o mote para a visita guiada pela exposição, conduzida por Ana Antunes e que pode ser visitada até 13 de julho com entrada livre.
Amanhã os sons do Alentejo vão ouvir-se em Coimbra e ao grupo “As Ceifeiras de Pias” junta-se o Segue-me à Capela
A 4.ª edição Abril no Feminino vai celebrar os 10 anos de classificação do Cante Alentejano como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO com três iniciativas que vão decorrer amanhã na Baixa da cidade.
Começa às 10h30 com a inauguração da exposição de fotografia “10 Anos de Cante”“, de Ana Baião, instalada em montras de lojas aderentes das ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz. (avenida7, Bragas, Lda. Chapelaria & Camisaria, Casa Baltazar, Casa da Sorte, Casa dos Linhos, Livraria Bertrand, Ourivesaria Costa, Pastelaria Briosa, Salgueiro’s, Tricots Brancal e Trouxa Mocha).
Pelas 11h00, no Museu Municipal – Edifício Chiado, será apresentado o livro homónimo, numa sessão com a presença da autora e moderação de Sílvia Franklin.
A manhã só podia terminar ao som do Cante e a festa faz-
-se ao som do Grupo Coral Feminino As Ceifeiras de Pias, uma estreia na cidade de Coimbra, com participação especial do grupo Segue-me à Capela, num concerto ao ar livre no Arco de Almedina, marcado para 12h00.
Em caso de mau tempo, a atuação será deslocada para o átrio da Câmara Municipal.












