
Uma viagem pela jornada da linguagem humana
“Talking Brains - Programados para Falar”, uma exposição sobre o cérebro linguístico, foi ontem inaugurada no Exploratório - Centro de Ciência Viva da Universidade de Coimbra. É a primeira de um conjunto de três exposições que, até 2027, vão passar por Coimbra com o apoio da Fundação “la Caixa”.
Depois da apresentação da exposição e do acordo entre as diferentes entidades que permitiu trazer mais «este projeto de elevada qualidade» para Coimbra, que se apresenta como «absolutamente oportuna», sobretudo porque «num tempo em que tanto se fala de linguagem baseada na Inteligência Artificial, é fundamental perceber como funciona a linguagem natural», referiu Amílcar Falcão, reitor da Universidade de Coimbra, na sessão de inauguração da exposição, que contou com a presença do presidente honorário do BPI, Artur Santos Silva, a diretora regional da Fundação “la Caixa”, Ana Feijó, o diretor de Exposições Científicas da Fundação “la Caixa”, Javier Hidalgo, o diretor do UC Exploratório, Paulo Trincão, e a presidente da Rede de Centros de Ciência Viva, Rosalia Vargas, entre outros.
Para conhecer os mistérios da linguagem, o desafio que todos os responsáveis lançaram, durante a cerimónia de inauguração, foi o de que todos possam visitar a exposição, desde os mais pequenos, em visitas escolares, até ao público em geral.
A forma como a exposição está estruturada no espaço do Exploratório «é a mais feliz», nas palavras de Artur Santos Silva, e «enche de orgulho» Paulo Trincão, que deixou uma «palavra de agradecimento» a toda a equipa do Exploratório e da Fundação “la Caixa”.
Cérebro humano é um órgão linguístico
A mostra oferece um percurso interativo que permite uma abordagem científica à linguagem (inseparável do cérebro), na perspetiva das neurociências, da biologia e da evolução. Assim, percorrendo os diferentes espaços da exposição, o convite é para explorar a riqueza linguística e a origem das mais de 7.000 línguas faladas no mundo, os segredos da sua evolução e as principais etapas da aquisição da linguagem.
Nesse sentido, a mostra começa com uma instalação que permite «sentir a diversidade linguística» que resulta de um único «cérebro linguístico comum a todos». Depois, surge o espaço que é um convite à descoberta da evolução do cérebro, desde «o nosso antepassado comum que viveu há oito milhões de anos, mostrando como o cérebro e a linguagem evoluíram até ao Homo Sapiens».
E prossegue a viagem histórica interativa, mostrando as várias tentativas de ligar «a anatomia e a geometria do cérebro às funções cognitivas, desde o século XIX até aos nossos dias». Mas a exposição é mais ambiciosa e procura perceber o desafio da linguagem nos recém-nascidos. E assim, entre vídeos e a instalação gigante de um útero, procura-se perceber como é que «a aquisição da linguagem, tão natural para os mais pequenos, é muitas vezes um labirinto de questões e puzzles para os investigadores, que tentam compreender como é que as crianças conseguem atingir este objetivo tão facilmente».
As patologias e o seu tratamento, graças à evolução da medicina e da tecnologia, as perturbações da linguagem integram ainda os mistérios da linguagem para, no final, se concluir que «o cérebro não é um computador», isto é, «apesar dos enormes e rápidos avanços na computação, a simulação da atividade cerebral está ainda muito para além do alcance dos computadores mais potentes alguma vez construídos».












