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Vale do Pranto Arroz pago “ao preço da chuva” põe em risco orizicultores
As preocupações são muitas e por isso, nem a chuva, vento e frio afastaram ontem os orizicultores do Vale do Pranto da reunião com o coordenador da APOR (Associação Portuguesa de Orizicultores). O encontro teve lugar na Associação do Alqueidão e foi a oportunidade para manifestarem as suas frustrações, por verem goradas as expectativas de mais um ano de trabalho. É que o valor que os industriais do sector estão a pagar aos produtores, na casa dos 21 cêntimos por quilo, «não dá para os adubos, os químicos e o trabalho». «E como é que vamos conseguir, se houver a mesma fraqueza para o ano? Se não for um “calçãozinho” que a gente tenha, pára ou morre», desabafava José Rolo. Da mesma opinião era Alfredo Gaspar, também preocupado quanto ao futuro da actividade, chegando a admitir que «mais valia trocar o arroz pelo eucalipto. Ao menos não dá tanto trabalho». Palavras ditas no final da reunião com Isménio de Oliveira, que pretendeu com o encontro que fosse nomeada uma comissão para estar presente numa reunião solicitada com o governador civil do distrito de Coimbra (segundo as suas palavras já pedida mas ainda sem resposta) e com o novo tutelar da parta da Agricultura, «que se diz aberto ao diálogo», frisou o responsável da APOR, que gostaria que os encontros ainda se realizassem antes do final do ano. Poluição oxida os terrenos Na agenda das preocupações está o preço pago aos orizicultores, «o mais baixo da União Europeia», mas também a clarificação de algumas dúvidas. «O ministro diz que vai haver 50 milhões para os agricultores e queremos saber onde vão ser investidos». Isménio de Oliveira considera que cabe ao Governo «intervir», pelo cumprimento da legalidade. «É preciso penalizar as grandes superfícies que estão a fazer “dumping” (vender a preço mais baixo que o de compra) com o preço do arroz, para que para o ano não aconteça o mesmo outra vez, com os preços abaixo dos custos de produção». Mas pretendem ainda «que seja reposta a ajuda à energia eléctrica» e que haja «uma fiscalização mais activa às importações». O rol das inquietações engloba igualmente a possibilidade dos industriais «estarem organizados», para pagarem todos sensivelmente o mesmo preço e a alegada poluição ambiental no Vale do Pranto, devido «às descargas das pecuárias e das ETAR das freguesias do Alqueidão, Louriçal, Borda do Campo e Marinha das Ondas». «Afectam a agricultura, porque oxida os terrenos e o arroz nunca mais vinga e afecta também os peixes que acabam por morrer», denunciaram os agricultores.
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