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Assembleia Municipal "Quebra grave da deontologia política" na Figueira da Foz
O recente episódio protagonizado na Assembleia Municipal da Figueira da Foz, com a derrota de Luís Tovim para a presidência daquele organismo, alegadamente com votos contra dos próprios socialistas, foi o mote para ontem se sentarem à mesma mesa mais de centena e meia de pessoas, num encontro «sem conotação política», antes de «amizade e solidariedade, de iniciativa pessoal de amigos e alguns elementos do PS», segundo explicou o “homenageado”, que se sentia «sensibilizado». No entanto, Luís Tovim não tem dúvidas: «o partido precisa de ser revisto internamente. O que se passou na assembleia municipal pode ser um prenúncio, pequenas ameaças que podem ser catastróficas para o concelho», frisou, apelando a que esses elementos «se auto-analisem», para que se possa perspectivar «um futuro melhor». E apesar de garantir estar «disponível», para colaborar, afirma que se demitiu do cargo para deputado porque «não tenho duas caras e iria sentir enorme dificuldade em sentar-me ao lado de pessoas que estão apenas para contrariar o posicionamento do PS».
Frisando estar a ponderar «entrar no Partido Socialista mediante certas condições», Luís Tovim afirma que os “boatos” que correm de que se prepararia para se candidatar à concelhia “rosa” mais não são que «atoardas para me intimidar para que tal não aconteça». Todavia, defende que António Paredes «não tem condições» para continuar no cargo, até porque, sustentou, «tudo indica, pelas investigações que foram feitas, que a origem (dos votos contra) tenha sido pensada por Lídio Lopes (PSD) com a conivência do secretário do PS Figueira».
Face a toda esta situação, o jovem médico entende que, se pretendem que a autarquia continue socialista, «seria de bom tom que o PS esteja unido e forte, se não, será complexo para a governação da câmara», conclui.
Democracia não se faz com “movimentos ad-hoc” Por seu lado, o presidente da câmara, que defende igualmente que o partido «tem que fazer uma reflexão profunda do que aconteceu e tirar as devidas ilações», não está «particularmente preocupado», apesar de defender que é preciso «haver um suporte político-partidário, a democracia faz-se com partidos políticos e não com movimentos ad- hoc». Mas, adianta, «se o que move as pessoas nas candidaturas é a melhoria do concelho, deve ser em função desses critérios que os projectos devem ser apreciados. Se não, esses critérios terão de ser explicados, porque mais não somos que mandatários da expressão popular».
João Ataíde frisou ainda que se aliou àquela iniciativa por Luís Tovim ser «um amigo, companheiro e este é um acto de gratidão», até porque, adiantou, «a sua escolha foi opção minha por considerar que se adaptava ao cargo, é pessoa estimada, respeitada e empenhou-se não só na acção de campanha, como na reflexão sobre a cidade apresentando soluções». O autarca é ainda crítico em relação a todo o processo de eleição na assembleia municipal. «Sempre considerei que a melhor forma de entrar na política é através de um plebiscito. A lista foi sufragada e houve expressão do eleitorado e o que aconteceu depois, defrauda as expectativas e faz descrer na democracia», disse, concluindo que «os mandatários dos partidos políticos é que devem ter atitude de maior respeito pelo eleitorado. Cada político é mandatado pelo povo e aqui houve uma quebra grave da deontologia política».
Empresas municipais vistas a “pente fino” Pouco mais de uma semana depois de tomar posse, o presidente da câmara admite que ainda não teve tempo de estudar a fundo os dossiers das empresas municipais, particularmente o da Figueira Grande Turismo, sendo que, ainda nem sequer está decidido, garantiu, se será ou não integrada na cultura. «É preciso ver os seus estatutos, os objectivos, a sua situação e só depois disso é que iremos procurar as pessoas ideais», adiantou, desmentindo, assim, os vários nomes que têm sido ventilados na opinião pública, até em alguma comunicação social.
João Ataíde também declinou qualquer responsabilidade sua na oposição à entrada de dois cidadãos, na primeira reunião de câmara (ver edição do passado dia 4). «Oponho-me a quem tomou essa decisão, não sei quem a tomou mas foi à minha revelia. Pode haver reuniões que não sejam abertas ao público, mas aquela, era-o garantidamente», disse ao nosso Jornal.
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