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Portugal reduz testes mas casos positivos aumentam!


quarta, 25 março 2020

O Serviço Nacional de Saúde tem, segundo declarações de ontem do secretário de Estado da Saúde, António Lacerda, capacidade para realizar 2.500 testes diários ao Covid-19 e o sector privado mais 1.500 testes por dia. E o stock de ambos os sectores, acrescentou, totaliza cerca de 20 mil testes. Apesar da divulgação desta disponibilidade, os testes estarão a ser racionados e o número de infectados será bem maior, diz o matemático Jorge Buescu, que vem fazendo registos da pandemia desde 10 de Março.
«Pelo segundo dia consecutivo, decresceu o número absoluto de testes administrados a uma população cujo número de infectados cresce exponencialmente – e mesmo com menos testes o número de casos detectados cresce a uma taxa cada vez maior», escreve o matemático na rede social facebook (página coronavírus: factos a partir de números).
Exceptuando o dia da detecção de uma cadeia de contágio em Ovar, os dados divulgados ontem, mas referentes ao dia anterior (domingo), apresentam o menor número de testes por infectado desde o dia 10 de Março. «Nunca se fizeram tão poucos testes, nem mesmo no início da crise», diz Jorge Buescu, ao notar que «os números sugerem que estamos a chegar ao limite dos testes disponíveis, e portanto a racioná--los».
Os números, observa, falam por si: na sexta-feira (dia 20), foram efectuados 2.122 novos testes, e confirmaram 260 novos casos.
No sábado foram realizados 1.925 novos testes, com 320 novos casos positivos. E no domingo (dados revelados ontem), só foram realizados 1.895 novos testes, surgindo a confirmação de 460 novos casos.
Ora, analisa o matemático, «um maior número de infectados detectados numa amostra menor significa que a taxa de crescimento está artificialmente camuflada». Nos cálculos que apresenta, «a taxa real de Portugal situa-se neste momento entre os 37% e os 40%, muito maior do (…) que Itália, Espanha, Alemanha, França ou Reino Unido».
 
Haverá entre 20 mil
e 60 mil infectados
 A Direcção-Geral da Saúde não diz, de forma directa, quantos testes são realizados diariamente. Mas é fácil chegar aritmeticamente ao número exacto, como, de resto, está a fazer Jorge Buescu: a soma dos casos positivos com a de negativos, mais o número de pessoas que aguardam resultado laboratorial dá o número de testes efectuados a cada dia.
Jorge Buescu chama ainda a atenção para os resultados que estão a ser apresentados desde quinta-feira. Até esse dia eram números exactos, mas depois «passaram a ser sempre números redondos: 1020, 1280, 1600, 2060». Ora, observa, «dificilmente acontece por acaso quatro vezes seguidas, muito provavelmente são aproximações à dezena mais próxima». Se assim for, deduz, a própria DGS pode «não saber bem os números exactos de infectados, tendo perdido o controlo da situação». O matemático, que não tem falhado nas previsões que faz às curvas exponenciais dos contágios por Covid-19, acredita que os números não são os que estão a ser apresentados pela DGS. «Se as minhas conjecturas estiverem certas, temos muitos, mas muitos mais infectados na população», lê-se no texto publicado no facebook.
Neste momento haverá «entre 20 mil e 60 mil», aponta, antes de perspectivar uma “explosão” nos números «quando (ou se) começarmos a testar sistematicamente a população».|