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Cerca de 13% dos jovens já sofreu com a partilha de vídeos íntimos


Segunda, 17 de Junho de 2024

Cerca de 13% dos jovens portugueses já sofreu com a partilha de fotografias ou vídeos íntimos seus e 15,7% daquela classe etária gosta quando são partilhados conteúdos íntimos desde que tenham sido autorizados, concluiu um estudo da Universidade de Coimbra.
Estes resultados surgem após um inquérito a 1.500 jovens (amostra representativa da população portuguesa entre os 18 e os 30 anos) incluído no projeto de investigação MyGender – Práticas de Jovens Adultos Mediados, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).
Apesar de a maioria dos jovens portugueses (61,1%) bloquear pessoas nas redes sociais que enviam mensagens de teor sexual, 15,5% sentem-se confortáveis a partilhar a sua vida íntima em algumas aplicações e 18,1% enviam mensagens de teor sexual a outras pessoas no meio digital, segundo os resultados do projeto a que a agência Lusa teve acesso.
“É uma percentagem muito significativa” de jovens que aceita a partilha de conteúdos íntimos, disse à agência Lusa Inês Amaral, que coordena o projeto em conjunto com Rita Basílio Simões, considerando que a perspetiva é a de que esta percentagem continue a aumentar ao longo dos anos.
Segundo a investigadora e docente da FLUC, a exposição dos jovens a este tipo de conteúdos surge cada vez mais cedo. Ainda de acordo com o estudo, 28% dos jovens afirmam que seguem pessoas que partilham a sua vida íntima no digital.
Se apenas 31% dos inquiridos já utilizou ou utiliza aplicações de encontros, o meio digital acaba por se assumir também como um espaço de início de relações, com mais de um terço (36,4%) a dizer que já teve relacionamentos com pessoas que conheceu ‘online’.
“Poucas pessoas disseram utilizar o Tinder, sobretudo raparigas, que receiam receber conteúdo sexual não solicitado ou sofrer algum tipo de assédio e, portanto, não querem usar aquelas aplicações”, aclarou Inês Amaral, referindo que nas entrevistas a jovens ficou também claro que o uso dessas aplicações de encontros gera alguma ansiedade.
Através do estudo refere-se também que cerca de um quarto dos inquiridos afirma que já foi assediado por causa do seu género, pouco mais de 10% por causa da sua orientação sexual e cerca de 8% sofreu ataques por causa da sua etnia.
Quase 10% dos jovens admitem também terem sido perseguidos fora do digital por causa da sua participação ‘online’.
Mais de metade dos jovens não faz questão de afirmar a sua identidade de género e/ou sexual nas aplicações móveis, apesar de a maioria (66,2%) identificar o seu género nas aplicações em que tem conta.
O projeto de investigação, que termina em agosto, procurou olhar para as questões “ligadas com o género e sexualidade” nos jovens portugueses entre os 18 e os 30 anos, abordando também o estudo das aplicações e os seus usos por parte desta classe etária, explicou à agência Lusa Inês Amaral.
Para além do inquérito, o projeto incluiu entrevistas a jovens, grupos focais, diários e análise das próprias aplicações.
Segundo Inês Amaral, a equipa do projeto procurou perceber de que forma os usos de aplicações influenciam a vida das pessoas.
Para a investigadora, a grande maioria das plataformas continua a promover o chamado ‘gender script’ (guião de género), ignorando as especificidades das pessoas que utilizam as aplicações.
“Se a pessoa se identifica como mulher, o algoritmo apresenta-lhe determinado tipo de conteúdos. Enquanto se identifica como homem, o algoritmo identifica outro tipo de conteúdos”, notou, referindo também que em muitos dos casos as únicas opções de identidade são homem, mulher ou outro.
Na ótica de Inês Amaral, as plataformas acabam por tentar homogeneizar os seus utilizadores, com os jovens a terem plena consciência disso.
“A maior parte dos participantes [nos grupos focais] dizem que, de facto, involuntariamente, acabaram por reforçar estes padrões que estão culturalmente enraizados”, notou.

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