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Morreu o escritor Casimiro de Brito


Quinta, 16 de Maio de 2024

O poeta e ficcionista português Casimiro de Brito morreu hoje, aos 86 anos, de causas naturais, em Braga, onde residia desde 2020, disse à Lusa a filha do escritor, Silvia Brito. O seu corpo vai estar em câmara ardente no Cemitério de Montes Claros, em Braga, entre as 9h30 e as 11h30 de sábado.
Poeta, romancista, contista e ensaísta, Casimiro de Brito tem mais de 50 obras publicadas, tendo sido distinguido com vários prémios ao longo da sua carreira literária.
Exerceu funções como vice-presidente da Associação Portuguesa de Escritores e presidente do P.E.N. Clube Português assim como da Association Européenne pour la Promotion de la Poésie, e desenvolveu, durante boa parte da vida, uma intensa atividade como divulgador da poesia.
"Imitação do prazer" e "Pátria sensível", na ficção, e "Negação da Morte", "Corpo Sitiado" e "Subitamente o Silêncio", na poesia, são algumas das suas obras.
Nascido em Loulé, em 1938, Casimiro de Brito passou a infância no Algarve, onde estudou na Escola Industrial e Comercial de Faro.
Começou a publicar em 1955 reunindo uma vasta obra de poesia, romance, ensaio e fragmentos, editada em português e em trinta outras línguas, estando incluído em mais de 200 antologias em Portugal e no estrangeiro.
Em 1956, criou no jornal A Voz de Loulé uma página literária designada Prisma de Cristal, na qual colaboraram nomes como António Ramos Rosa, Gastão Cruz e Maria Rosa Colaço.
Dirigiu, ainda em Faro, a coleção de poesia “A Palavra”, bem como diversas revistas literárias, entre as quais os Cadernos do Meio-Dia, com Antonio Ramos Rosa.
Nesta publicação, revelaram-se os poetas do movimento literário “Poesia 61”, do qual Casimiro de Brito fez parte, ao lado de Fiama Hasse Pais Brandão, Gastão Cruz, Luiza Neto Jorge e Maria Teresa Horta.
Depois disso, emigrou para a Alemanha, em finais de 1960, e estabeleceu-se em Lisboa, a partir de 1971, onde trabalhou no setor bancário.
Ganhou vários prémios, nacionais e internacionais, entre o quais o Prémio Léopold Sédar Senghor da Academia Martin Luther King e o Prémio Mundial de Haikus da World Haiku Association, assim como o Prémio Internacional de Poesia Léopold Senghor, o Prémio de Poesia Aleramo-Luzi, para o Melhor Livro de Poesia Estrangeiro, com "Livro das Quedas" (2004), e ainda o Prémio de Melhor Poeta do Festival Internacional Poeteka, na Albânia (2008).
No rol de distinções contam-se anda o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro “Labyrinthus” (1981), o Prémio Versilia, de Viareggio, para a Melhor Obra Completa Estrangeira, por "Ode & Ceia" (1985), o Prémio de Poesia do P.E.N. Clube, pelo livro "Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia" (1997).
Foi nomeado Embaixador Mundial da Paz (Zurique) e, em 2008, foi agraciado com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique da República Portuguesa. Em 2016, foi homenageado em Querenca pela Fundação Manuel Viegas Guerreiro.
Em 2020, a sua poesia completa (até 2000) foi editada pela Glaciar.
Entre 2020 e 2023 publicou, em Braga, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, oito obras inéditas (“Razões Poéticas”).

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