
Incendiária responde em tribunal por seis crimes
Entre 12 e 16 de setembro do ano passado causou seis fogos florestais, três deles no mesmo dia. A mulher, de 47 anos, vai agora ser julgada pelo Tribunal de Coimbra onde responde pela prática de seis crimes de incêndio florestal agravados. Usou sempre um isqueiro para atear as chamas e fê-lo numa altura do ano de especial calor (com temperaturas bem acima dos 30.º) em que o território nacional se encontrava com alertas de perigo muito elevado e máximo de incêndio rural. Além disso, como refere o Ministério Público (MP), na acusação, a arguida escolheu locais inseridos em área florestal com vasta extensão, numa zona de forte carga combustível, composta por mato, silvas, feno, pinhal e eucaliptal, fazendo com «que os fogos por si ateados depressa se propagassem à área florestal envolvente, transformando-se em incêndios de grandes dimensões».
O primeiro dos fogos, a 12 de Setembro de 2024, foi provocado na zona de Sebal e Belide (perto do lugar de Cangalho) e teve de ser combatido por 74 bombeiros. No total, arderam quase três hectares de mato, num total de mais de 3 mil árvores (entre eucaliptos e pinheiro bravo). Dos seis casos, este foi o que mais meios empregou no combate às chamas.
No dia seguinte atacou numa zona próxima da auto-estrada no Norte, próximo de Quinta das Dadas, Sebal, e nesse caso as chamas estiveram a cerca de 300 metros de habitações. No dia 15 voltou à mesma zona e fez o mesmo. No primeiro caso estiveram em ação sete bombeiros e no segundo já foram necessários 11 homens para apagar as chamas. Uma intervenção inicial, explica o MP, que foi decisiva para que o fogo não ganhasse maiores proporções.
A 16 de Setembro a arguida ateou três incêndios distintos no espaço de meia-hora. Às 9h30 junto do campo de tiro de Alcabideque, às 9h40 na zona da Mata da Alfarda, IC3 (junto às ruínas de Conímbriga), e às 10h00 junto ao quilómetro 179 da A1, também na zona de Sebal. Neste último fogo foram mobilizados, para o combate às chamas, elementos das corporações de Bombeiros Voluntários de Condeixa-a-Nova, Soure, Brasfemes e Miranda do Corvo, com um total de 48 homens e 12 viaturas.
A arguida, que esteve inicialmente em prisão preventiva e atualmente está em prisão domiciliária, poderá ainda – segundo o que é pedido pelo Ministério Público – ser condenada a pagar cerca de 33 mil euros, que correspondem aos custos dos meios e materiais suportados pela Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil para o combate às chamas.












