
“Avó Quina” celebrou 100 anos em família
Joaquina André Gonçalves, a "avó Quina”, como carinhosamente é tratada pelos netos e bisnetos, celebrou ontem os seus 100 anos. Uma festa simples, com um bolo com três velas “100”, que reuniu filhos, netos e bisnetos. Quase todos presentes. Dos três filhos (duas raparigas e um rapaz), faltou a Ana Maria, pois faleceu recentemente, mas estavam presentes os cinco netos, o mais velho com 53 anos, dois anos a menos do que o filho mais novo da Dona Joaquina, o Diogo, que nasceu quando a mãe tinha 45 anos «e o único a nascer na Maternidade», como contou uma das netas: «Sinais do tempo».
E foi com alguma emoção que Diogo falou da mãe, recordando que ela reside agora no Centro de Apoio à Terceira Idade da Santa Casa da Misericórdia «mas está aqui sob protesto», o que revela um pouco do espírito inquieto da Dona Joaquina que viveu até aos 97 anos na sua casa no Monte Formoso.
Ontem à tarde, a Dona Joaquina estava feliz e bem disposta, aliás como ela está sempre, de acordo com as suas cuidadoras no CATI. Por isso, a festa dos seus 100 anos foi uma oportunidade para dois dedos de conversa com a “Avó Quina”, que recordou que «nasceu em Almeirim, mas ainda pequena foi para Lisboa com os pais».
Só bem mais tarde, já casada, é que veio para Coimbra «para subir de categoria na carreira», pois era funcionária da Segurança Social. E aqui viveu sempre e a ver a família crescer que ontem se reuniu para a sua festa dos 100 anos. «É muito tempo, já vi muitas mudanças no mundo». A propósito recorda o tempo da Segunda Guerra Mundial, em que ia para as filas para comprar pão, leite, arroz...»
Mas antes de cantar os parabéns e apagar as velas, a “avó Quina”, ainda teve tempo para falar também das suas paixões: como cozinhar, por exemplo. Uma das netas diz que ela tem «umas mãos.... A sopa da pedra feita pela avó... tão boa». Não fosse ela de Almeirim. Qual o segredo? «É preciso boa carne e ter mãos», confessou ela, revelando que também é apreciadora da boa comida portuguesa: «ai as pataniscas de bacalhau, são tão boas», desabafa a Dona Joaquina com convicção, quando uma das netas lhe diz «e as tuas pataniscas, avó!»
E prontamente a Dona Joaquina diz que ainda deitava mãos à cozinha para fazer qualquer prato.
Com alguma dificuldade em ouvir e ver, a bisavó do Ricardinho, com 9 anos, está sempre com a resposta na ponta da língua, nem que seja para dizer «não sei do que estão a falar!».
E foi com o abraço do bisneto Ricardinho que ontem ouviu a família cantar-lhe os parabéns, mas sempre a acompanhar o ritmo, finalizando, com uma grande ovação












