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Casa dos Afetos, um lar em em diálogo com a comunidade

Lar residencial da APPACDM vai ter capacidade para acolher 18 utentes, prevendo-se também a contratação de 12 a 14 colaboradores. Deverá estar concluído em finais de setembro

A cumprirem-se os prazos previstos, a Casa dos Afetos estará em funcionamento em finais de setembro, acolhendo 18 utentes que, ali, bem no coração da vila de Arganil, terão o seu lar residencial.

Uma casa que será de portas abertas, permitindo que todos os seus moradores - utentes da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Coimbra - possam entrar e sair, interagindo com a comunidade local.

A obra é da instituição, mas os seus responsáveis preferem dizer que é da «vila de Arganil», tal tem sido o seu envolvimento para que o projeto possa passar de um sonho e ser uma realidade.

«Quase todas as iniciativas que se fazem nesta vila de Arganil são para esta Casa dos Afetos», disse Helena Albuquerque, presidente da APPACDM de Coimbra, num dia em que mostrou a obra que a instituição começou a sonhar «há 15 anos».

«Sinto que somos parte integrante da comunidade», comenta ainda, satisfeita por liderar uma instituição que Arganil tomou como sua.

«Aqui, os nosso utentes vão ao café sozinhos e são bem atendidos», contou.

A Casa dos Afetos começou a ganhar forma em setembro de 2023, quando foi assinado o auto de consignação da obra. Mas para trás ficam muitos anos de luta - 15, precisa a diretora - num processo que começou a ser sonhado com o então presidente da Câmara Ricardo Pereira Alves que, em negociação com o Estado, conseguiu que a antiga residência de estudantes a escassos metros da Câmara Municipal passasse para a posse do município que fez uma cedência de superfície por 30 anos à APPACDM de Coimbra. 

Importa frisar, destaca Helena Albuquerque, a localização no coração da vila. «Muitas vezes estas estruturas são mandadas para os arredores, o que vai contra tudo aquilo que nós lutamos, que é que eles [utentes] devem frequentar todos os espaços que nós frequentamos. Aqui temos um edifício no centro, uma coisa de um valor inestimável», diz a presidente, acentuando que «a casa faz um diálogo com a comunidade».

Pedem-se utentes porque falta o lar

Com capacidade para 18 utentes, a Casa dos Afetos terá quartos individuais e duplos, refeitório e sala de convívio.

A sua dinâmica implicará, de acordo com a instituição, a contratação de 12 a 14 colaboradores, dando assim, também, o seu contributo para a criação de emprego na região.

A sua necessidade é urgente, tendo em conta a escassez de estruturas desta natureza para acolher os utentes.

Olga Coelho, psicóloga e coordenadora do Centro de Arganil da APPACDM, frisa que nos últimos anos a instituição perdeu seis utentes para outras unidades da região por necessitarem de uma estrutura de alojamento que em Arganil não existe.

Helena Albuquerque frisa, de resto, que faltam, no geral, lares residenciais para pessoas com deficiência.

«Estas pessoas aumentaram a esperança de vida, felizmente, mas muitas vezes envelhecem simultaneamente com os seus pais, o que cria problemas sociais e humanos que urge resolver», denuncia, defendendo a urgência de novos lares «quando a família ou já não existe ou já não tem capacidade para cuidar».

No caso particular de Arganil, onde a instituição acolhe 37 utentes, muitos deles são oriundos de famílias monoparentais, de idade avançada, outros vivem com irmãos ou primos e há ainda dois casos de utentes que vivem sozinhos e, mais cedo ou mais tarde, precisarão de um apoio que vai muito além do dia na instituição.

«Daí a premência de um lar residencial», diz a psicóloga.

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Junho 23, 2025 . 09:30

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