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Propinas e alojamento no centro do debate no ISCAC

Associação de Estudantes convidou representantes dos oito partidos com assento parlamentar para debate

As propinas, a habitação - com destaque para o alojamento estudantil -, os salários e o IRS Jovem foram os temas centrais do debate político, que decorreu ontem no auditório do Coimbra Business School/ISCAC e que juntou representantes dos oito partidos com assento na Assembleia da República: Rita Júdice (AD), Pedro Alves (PS), Augusto Miranda (Chega), Celso Monteiro (Iniciativa Liberal), Pedro Jorge (Bloco de Esquerda), Fernando Teixeira (CDU), Andreia Nabeiro (Livre) e João Fontes da Costa (PAN).
Sem surpresa, os partidos à esquerda defenderam a abolição da propina, ao contrário dos partidos de direita, que reforçam a ideia de que a propina não é a principal despesa do ensino superior.
«Pretendemos que ninguém tenha de pagar propina se não puder pagar», sublinhou Rita Júdice, salientando que o objetivo da AD é «apostar na ação social», com a convicção de que «a propina não é o verdadeiro problema».
Celso Monteiro também defende que quem pode, «deve pagar para que a ação social seja financiada» com as verbas que advêm da propina.
Já Augusto Miranda lembrou que a proposta do Chega é semelhante ao modelo praticado em alguns países anglo-saxónicos: os estudantes ficam isentos de pagar durante a frequência do ensino superior e pagam quando já estiverem a trabalhar.
Sobre esta matéria, o cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Coimbra do Partido Socialista, Pedro Alves, sublinhou que a ideia é que, num prazo de 10 anos, nenhum aluno pague propinas. «Temos de garantir que as instituições de ensino superior são sustentáveis. Precisam de financiamento estável, por isso, não é possível já» adotar a medida de propina zero, referiu.
Referindo que a propina, hoje em dia, não representa o maior custo, João Afonso da Costa considera que, ainda assim, é um fator que «acaba por condicionar a continuidade» dos alunos no ensino superior, pelo que propõe uma revisão do modelo.
«Não é uma inevitabilidade os estudantes estarem condenados a pagar propinas», salientou Fernando Teixeira, considerando que a abolição «é uma questão de justiça e democratização», com Pedro Jorge e Andreia Nabeiro a defenderem também a propina zero e o reforço de apoios de ação social.

"Construir novo EP em Coimbra obrigaria a investimento superior a 100 milhões de euros, referiu Rita Júdice"

Quanto ao alojamento e à participação dos privados nestas matérias, os candidatos não colocam entraves a esta solução, ainda que Pedro Alves e Pedro Jorge ressalvem que «o ideal» é que sejam os serviços de ação social a gerir o alojamento estudantil.
«Os privados são sempre bem-vindos», referiu o representante do Chega, ao acrescentar que «há edifícios públicos» que pode ser adaptados para o efeito e deu o exemplo do Estabelecimento Prisional de Coimbra, até pela proximidade com a Universidade.
Um dos problemas, acrescentou Rita Júdice, é que construir uma nova Penitenciária no concelho de Coimbra obrigaria a um investimento de, pelo menos 100 milhões de euros, disse a cabeça de lista da AD.
As questões salariais não foram esquecidas no debate organizado pela Associação de Estudantes do ISCAC, com o candidato da CDU a defender «um verdadeiro choque salarial» e a representante do Livre a alertar que «é importante olhar para o salário médio».

Iscac Acolhe Um Debate Político Fig 2
Maio 8, 2025 . 06:30

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