
Terapêutica para doenças neurodegenerativas vence prémio
A equipa liderada por Nuno Apóstolo, do Instituto Multidisciplinar no Envelhecimento (MIA-Portugal) da Universidade de Coimbra é a vencedora do Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra 2025, entregue ontem, ao final da manhã, numa cerimónia realizada na Sala do Senado, pelo reitor, Amílcar Falcão, e pelo CEO do grupo farmacêutico, Sérgio Simões. O investigador apresentou o projeto, destacando a acentuada pertinência das doenças neurodegenerativas, que têm vindo a crescer com o aumento da esperança de vida. Patologias, entre as quais a doença de Alzheimer, que «atingem cerca de 57 milhões de pessoas em todo o mundo» e, só na Europa, representam um custo médio anual de 130 mil milhões de euros. O cenário é tanto mais complexo porque «não há tratamento eficaz», disse. O que a equipa – que inclui Nuno Apóstolo, Luís Ribeiro, Rui M. Brito e Irina Moreira - fez foi trabalhar «uma abordagem terapêutica inovadora», capaz de bloquear os efeitos nefastos da «proteína tau nos neurónios e a sua propagação ao cérebro». Um efeito “travão” a que as células tratadas laboratorialmente responderam positivamente, dando força ao projeto de «potenciar este travão fisiológico para evitar a propagação dos agregados tóxicos», explicou. Um passo essencial para a validação de um novo alvo terapêutico, solução que classificou como «inovadora», com impacto na inovação clínica» e que configura uma nova estratégia para «reduzir o impacto negativo destas doenças na nossa sociedade». A conquista deste prémio permite precisamente criar as bases para uma futura transferência de tecnologia para a indústria farmacêutica e a colaboração com a Bluepharma vai «apoiar o desenvolvimento industrial e facilitar o percurso regulatório rumo a ensaios clínicos».
"Coimbra tem todas as condições" para prosseguir esta "caminhada" e "está a fazê-lo" com o projeto Life Science Park Coimbra
Aliás, a somar aos 20 mil euros ontem entregues, o Prémio Inovação prevê um investimento adicional de 30 mil euros, destinado precisamente a apoio ao desenvolvimento da tecnologia. «É uma área absolutamente emergente», «difícil de trabalhar», mas «uma área fundamental para dar qualidade de vida aos mais idosos», afirmou o reitor, que enalteceu a «qualidade dos projetos» candidatos ao Prémio Inovação e o «grande entrosamento» que há 25 anos marca as relações entre a Universidade de Coimbra e a Bluepharma». Um parceria estratégica que Sérgio Simões destacou, com o CEO da Bluepharma a lembrar que o Prémio Inovação tem tantos anos quantos e empresa e é a expressão sólida de uma parceria estratégica entre as duas instituições. Uma colaboração estreita em termos científicos, empresariais e em «projetos de inovação produtiva», disse, dando nota que 60% dos licenciados que trabalham no grupo são formados pela Universidade de Coimbra. Uma aliança estratégica que permite «conhecimento de vanguarda» e a sua «translação para o universo empresarial», de que tem resultado a «criação de medicamentos e alto valor acrescentado», afirmou. Para Sérgio Simões, «Coimbra tem todas as condições» para prosseguir esta «caminhada» e «está a fazê-lo» com o projeto Life Science Park Coimbra, um ecossistema integrado dedicado às ciências da vida, biotecnologia e inovação farmacêutica, a representar mais um passo. «Estamos a fazer por cumprir bem a nossa missão» na senda de um «futuro mais próspero para a região e para o país», concluiu.

Promover a “terceira missão” da Universidade
«Não é o conhecimento nas nossas cabeças que produz riqueza», mas «a capacidade de transformar esse conhecimento em algo útil para a sociedade». Palavras de Seabra Santos, reitor emérito e presidente do júri do Prémio Inovação, que lembrou a perceção da Universidade, ao tempo do reitor Fernando Rebelo para esta «terceira missão» e a sua abertura ao exterior e às empresas. Destacou a nomeação de Irene Silveira, catedrática de Farmácia, como vice-reitora, para essa função. «É preciso dar cada vez mais força à capacidade de translação de conhecimento e conseguirmos aproximar-nos do mundo lá fora». A Bluepharma é um exemplo desse «mundo», ao «exportar para 40 países», concluiu.









