
Instituto Superior Miguel Torga vai mudar-se para a Baixa
O Instituto Superior Miguel Torga vai mudar-se para a Baixa, para um edifício da autarquia que se localiza na rua Ferreira Borges, em frente ao café Nicola.
A “notícia” foi ontem avançada por Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, no âmbito da sua intervenção do Dia da Cidade. «Miguel Torga escreveu que o universal é o local sem paredes. Vai agora ajudar-nos a deitar paredes abaixo, as paredes do abandono, dos edifícios devolutos, do desânimo de alguns comerciantes. O ensino superior regressará ao coração histórico da cidade e, com ele, regressam estudantes, regressa comércio e regressa mais vida», afirmou na intervenção na sessão solene.
A este movimento que a autarquia pretende criar junta-se o colégio de São Boaventura, adquirido pela câmara «e que poderá vir a ser o Polo Zero da Universidade de Coimbra», naquilo a que a autarca chamou de «quilómetro zero» de onde partem os novos caminhos da regeneração da Baixa da cidade.
«Na rua que foi, no século XVI, a primeira avenida do conhecimento da Europa, vamos plantar de novo uma semente», disse Ana Abrunhosa. Segundo a presidente da autarquia, a rua da Sofia, património da humanidade, «deve o seu nome à sabedoria» e nunca um nome «esperou tanto tempo para voltar a cumprir-se».
Conferência de Líderes da Região Centro anunciada
Destacando algumas das obras e intervenções que foram realizadas nos oito meses de mandato, e que Coimbra «deixou de trabalhar sozinha», afirmou: «A Câmara, a Universidade e a Comunidade Intermunicipal, as empresas e as instituições estão todas à mesa a remar no mesmo sentido».
E deixando claro que esta cultura colaborativa «não é uma cultura de gabinete» realçou que Coimbra é uma cidade que «há demasiado tempo não fazia coisas em conjunto, está finalmente a reaprender a fazê-las e a descobrir que gosta».
E foi na sequência deste trabalho conjunto que deixou uma proposta nova. «Até ao final do ano realizaremos a primeira Conferência de Líderes da Região Centro» afirmou. Será promovida pela Câmara Municipal de Coimbra mas em co-organização com a Universidade e as instituições de ensino superior, a CIM de Coimbra e a CCDR Centro e que visa convidar os CEOs das 100 maiores empresas da região para se sentarem à mesa, todos juntos, com as instituições públicas.
E, uma vez por ano, «academia, autarquias, região e economia articulam, juntas, uma visão de médio e longo prazo». De acordo com a edil os territórios que vencem «não são os que têm mais recursos», mas sim os que «sabem sentar-se à mesma mesa».
Autarca disse que o céu testou com tempestades e o rio com cheias
Pegando na tempestade que a cidade viveu logo no início do ano, poucos meses depois de Ana Abrunhosa ter tomado posse, a autarca disse que o céu testou com tempestades e o rio com cheias.
«Podíamos ter falhado. Não falhámos porque lutámos todos juntos: o povo de Coimbra, os autarcas, a proteção civil, as nossas famílias e as nossas empresas que defenderam a cidade num exemplar gesto de cidadania coletiva». E aqui, a presidente da Câmara de Coimbra não esqueceu o apoio do governo liderado por Luís Montenegro bem como de Graça Carvalho, responsável pelo ministério do Ambiente e que ontem viu o seu apoio neste período ser reconhecido com a entrega da Chave da Cidade (ver página ao lado).
Num dia de calor abrasador e que pôs (novamente) a cidade em alerta, Ana Abrunhosa recuou aos dias de chuva e da forma como se levantou depois da intempérie.
Nas palavras da autarca, a cidade nestes últimos meses «levantou-se a trabalhar».
E para mostrar a forma como se levantou, anunciou que foram licenciados 1.089 fogos e que tal corresponde «a mais 42 por cento do que no período homólogo». «Das tempestades tirámos um mandato claro: construir uma cidade mais resiliente». E é isso, vincou, que está a ser feito.
«Estes oito meses (de mandato) foram a prova de que a coragem existe. Os próximos anos serão a prova de que a visão também. Mais habitação, mais investimento, mais cultura, mais qualidade de vida. Uma Baixa viva, duas margens unidas, uma região em rede, uma cidade que abraça o futuro sem largar a mão da sua história», concluiu Ana Abrunhosa.










