
Ministra justifica aumento de utentes sem médico de família com crescimento dos registos
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, justificou o aumento do número de pessoas sem médico de família com o crescimento dos registos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que está a demonstrar ter "elasticidade".
"Temos todos os meses novas inscrições de utentes residentes em Portugal (...). E vamos continuar durante muito mais tempo, seguramente, a ter pessoas a inscrever-se no registo nacional do utente. Naturalmente que, quando nós percebemos que temos mais um milhão e meio de pessoas em Portugal do que tínhamos há cinco anos compreendemos que a elasticidade que o SNS tem que ter é muito grande. É quase, eu diria, de ser feita de forma muito rápida", afirmou a ministra.
Ana Paula Martins falou aos jornalistas em Matosinhos, no distrito do Porto, durante a abertura do programa de intervenção para dependência de videojogos do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), reagindo ao relatório do Conselho das Finanças Públicas (CFP) divulgado no mesmo dia.
O relatório do CFP indica que o número de pessoas sem médico de família em Portugal continental aumentou em 41 mil em 2025, invertendo a trajetória de melhoria do ano anterior.
Em 2025, um total de 1,56 milhões de utentes não tinham médico de família, com a região de Lisboa e Vale do Tejo a concentrar a grande maioria desses casos, num total de 1,1 milhões.
O CFP realça que "este contexto é particularmente relevante num cenário de envelhecimento da classe médica na especialidade de medicina geral e familiar".
De acordo com dados da Ordem dos Médicos citados pelo CFP, no final de 2024 estavam inscritos nesta especialidade 9.343 médicos, dos quais 45% tinham mais de 65 anos.
Confrontada com estes números, Ana Paula Martins reconheceu a necessidade de encontrar soluções. "Temos que encontrar soluções. A primeira de todas é que as nossas Unidades Locais de Saúde (ULS) estão a adaptar para dar resposta, mesmo a quem não tem médico de família, para não ir parar a urgência, porque aí é o último recurso", explicou.
A ministra adiantou que "em breve" o Governo vai apresentar dados sobre consultas a pessoas que residem em Portugal e não têm médico de família, referindo que esta situação representa "um desafio", pois "há uma geração [de médicos] que se está a reformar".
Explicou ainda que a falta de médicos, o aumento da população e a distribuição geográfica dos profissionais têm impacto, pois "as pessoas concorrem para onde também têm o seu projeto de vida e querem ter o seu projeto de vida".
Sem revelar pormenores, Ana Paula Martins deixou a esperança de que os números possam melhorar a curto prazo: "Também vamos durante o mês de julho fazer a atualização das listas, porque elas têm que ser atualizadas, vão passar a ter atualização mensal e aí também iremos libertar alguns espaços para novos utentes. Enfim, não vamos resolver o problema todo num ano, nem em dois, nem em três, mas vamos conseguir, não podemos desistir".










