Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Ia Cyber 20260619
Légua Esgotada
Pub

Controvérsia na mudança de instalações do Centro de Respostas Integradas da Figueira da Foz

Câmara e ICAD chegaram a acordo para transferência do polo local para edifício do antigo BCG

O Município da Figueira da Foz e o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) formalizaram, esta semana, um acordo para a transferência das instalações do Centro de Respostas Integradas (CRI), a fim de garantir a continuidade do serviço público no concelho. Com a venda do imóvel onde a unidade estava a funcionar há vários anos, a escolha do novo local incidiu no edifício do Centro de Diagnostico Pneumológico (conhecido na cidade como BCG), situado no n.º 124 da Rua Vasco da Gama, e que deverá acontecer até ao dia 3 de agosto.

«Com o entendimento institucional, está garantida a continuidade de respostas a uma população vulnerável que necessita de apoio especializado em comportamentos aditivos, com ou sem substâncias. Ao mesmo tempo, estão asseguradas, também, as condições e os postos de trabalhos dos membros da equipa de saúde», lê-se no comunicado enviado pelo ICAD aos órgãos de comunicação social.

No entanto, várias fontes ligadas ao processo que acompanham de perto a realidade clínica e as necessidades logísticas da unidade avançam, em declarações ao Diário de Coimbra, que o novo espaço é tecnicamente «inviável» para o serviço do CRI, que garante apoio clínico, psicológico e social a cerca de 600 utentes da região. «As novas instalações constituem um claro retrocesso na qualidade da assistência», lamentam. Além disso, dizem não entender esta escolha, já que várias instituições estiveram lá instaladas e acabaram por sair daquele edifício.

Espaço atual falha em toda a linha, criando um ambiente de enorme desgaste

As mesmas fontes, que pediram anonimato com receio de sofrer represálias, apontam graves limitações no novo espaço, que se revela manifestamente insuficiente para assegurar a dignidade no atendimento aos utentes e a segurança no exercício das funções da equipa técnica. Segundo foi possível apurar, a infraestrutura em causa peca pela falta de espaço adequado para consultas confidenciais e apresenta uma degradação estrutural que coloca em causa o bem-estar diário de profissionais e pacientes do CRI.

«Estamos a falar de uma população vulnerável que necessita de um ambiente protegido e de privacidade. O espaço atual falha em toda a linha, criando também um ambiente de enorme desgaste para os profissionais que ali vão operar todos os dias», indicam estas fontes ao nosso jornal, garantindo que esta mudança viola as diretrizes básicas de segurança no trabalho e humanização dos cuidados de saúde. Nesse sentido, apelam às entidades competentes para que seja feita uma auditoria urgente ao novo espaço antes que qualquer utente seja transferido.

Refira-se que o CRI da Figueira da Foz desempenha um papel fulcral no tratamento, redução de danos e reinserção de cidadãos com dependências na região. O processo de mudança tem gerado debate na comunidade local, dividida agora entre a necessidade de garantir assistência médica especializada e as preocupações com o impacto social da estrutura no tecido urbano.

Junho 28, 2026 . 11:15

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

0 Comentários
Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right