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“Sinodalidade em Portugal: um retrato”

Junho 27, 2026 . 13:20
Em "Caminhos de São Tiago (n.º 643)", José Cardoso Duarte fala da Sinodalidade da Igreja e da Liberdade do Espírito

1 Simbiose, a palavra-chave. Muito se tem falado de Sinodalidade na Igreja Católica, desde o lançamento deste processo pelo Papa Francisco em Outubro de 2021, na festa do seu patrono Francisco de Assis. No entender de Francisco, a palavra “sínodo” contém tudo o que nos serve para compreender: “caminhar juntos” (…) Caminhar juntos - leigos, pastores, bispo de Roma - é um conceito fácil de exprimir em palavras, mas não é assim fácil pô-lo em prática". (50º aniversário do Sínodo dos Bispos, 17.X.2015). Referindo a história da Igreja, Francisco sintetizou-a como ": Este percurso narra a história em que caminham juntos a Palavra de Deus e as pessoas que àquela Palavra dedicam atenção e fé. A Palavra de Deus caminha connosco. (Roma, 18.IX.2021)". E deixou um encorajamento: "Confiai no Espírito. Não tenhais medo de entrar em diálogo e deixai-vos perturbar pelo diálogo (Roma, 18.IX.2021)". Iremos celebrar em breve 5 anos deste lançamento e não tendo qualquer intenção de fazer a resenha do que passou, está a passar e se vai seguir (agora sob a orientação do Papa Leão), quero chamar a atenção para um inquérito realizado pelo jornal digital "7Margens" sobre a Sinodalidade em Portugal e como está a decorrer. Para o efeito a direcção do jornal apresentou um questionário aos seus leitores e a quem quisesse responder no site, sobre o que achavam sobre o estado de implementação da Sinodalidade na Igreja em Portugal. Antes de entrar na análise dos resultados quero comparar duas palavras, Simbiose e Sinodalidade que têm a mesma raiz que tem a ver com juntar, caminhar juntos (como refere acima Francisco), mas mais que isso com vantagens mútuas. É talvez esta característica que é menos explorado na Sinodalidade mas está bem presente na Simbiose. E se a Igreja na visão de Paulo não é mais do que o Corpo (místico) de Cristo, do qual Cristo é a cabeça e nós os membros, a imagem de Simbiose na Sinodalidade torna-se evidente.

2A liberdade do Espírito. Foram recebidas 629 respostas o que pessoalmente acho bastante significativo. Claro que os leitores e leitoras do 7Margens serão bastante seleccionados entre o que poderíamos chamar a ala mais progressiva e/ou intelectual do povo de Deus em Portugal, mas essa análise sócio-econômica e cultural não está feita. Em pano de fundo da questão, estão praticamente 70% das respostas: destas praticamente metade considera que a Igreja Católica em Portugal mudou muito pouco, mas a outra metade entende que mudou alguma coisa. Mais nas franjas estão os ainda assim significativos 15,9% que consideram que está na mesma, enquanto menos de 6% consideram que mudou muito e 2,2% que sofreu transformações profundas. Assim segundo o jornal, "a esmagadora maioria, 69,3%, mais de dois em cada três, coincide no reconhecimento de que as mudanças foram mínimas". É de salientar que entre os que responderam, 96% dizem ser católicos, dos quais 75% se encontram envolvidos em algum movimento ou estrutura católica ou desempenham algum serviço na comunidade em que se integram. Curiosamente se for considerado apenas o universo do conjunto de padres e religioso(a)s entre os respondentes do inquérito, 53% diz terem-se registado mudanças visíveis, enquanto 45% as considera "imperceptíveis". Ainda assim pouco abonatória a visão global do universo global representante da estrutura clerical. Que resulta em hecatombe quando vista do lado laical. A "pouca vontade de mudança por parte de leigos e clero", e a "vontade do clero em manter o protagonismo exclusivo", são as principais causas sugeridas pelos inquiridos que avaliam negativamente os progressos sinodais dos últimos cinco anos. Não sendo este um inquérito científico (a ficha técnica pode ser consultada no 7margens publicado em 17/06) não deixa de ser importante e levado em consideração, até porque envolve católico(a)s de todas as dioceses do país à excepção das de Portalegre-Castelo Branco e de Viana do Castelo. Lisboa (43,8%), Porto (16,5%), Braga (7%) e Coimbra (6,4%) foram as mais representadas. Concluo citando novamente Francisco aquando da convocatória deste percurso: "E isto é importante: que no diálogo possam sobressair as nossas misérias, sem justificação. Não tenhais medo!" Ele mesmo lembrava: É que onde está o Espírito do Senhor aí está a liberdade (São Paulo aos Coríntios) E eu pergunto: Vamos liberdade (São Paulo aos Coríntios). E eu pergunto: Vamos dar ouvidos ao Espírito ou passar ao lado?|

Junho 27, 2026 . 13:20

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