
Figueiró dos Vinhos quer integrar estratégia de investimentos da Defesa
O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Carlos Lopes, lançou um desafio ao ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, defendendo que o concelho seja contemplado na futura estratégia de investimento ligada ao setor da Defesa.
No discurso proferido durante a sessão solene do Dia do Município de Figueiró dos Vinhos, que se realizou ontem, Carlos Lopes considerou que o concelho tem vindo a construir uma «estratégia de desenvolvimento económico e social» assente na criação de emprego e riqueza e a atração de novos residentes e na valorização do território, apontando vários projetos em curso e previstos.
Entre as prioridades, destacou a criação de uma nova zona empresarial com foco na bioeconomia, a aposta numa política de habitação «capaz de responder às necessidades da classe média e dos jovens», bem como na educação, na prestação de cuidados de saúde e no «alargamento dos apoios sociais». Referiu ainda o investimento na regeneração urbana e na valorização e conservação dos espaços públicos. Também na área do turismo e do ambiente, Carlos Lopes sublinhou a implementação do projeto do Centro de Recuperação dos Ecossistemas Ribeirinhos (CRER), em Campelo, bem como do projeto Ciência Viva, a reabilitação do Cabelo do Peão e a recuperação de linhas de água.
Foram atribuídas Medalhas de Bons Serviços aos trabalhadores do município aposentados em 2025
A promoção de «ações efetivas no domínio da proteção civil» que tornam o território mais resiliente e preparado para enfrentar as catástrofes é outra das ambições da autarquia. Foi neste contexto que dirigiu um apelo direto ao ministro da Defesa Nacional: «Lanço o repto ao senhor ministro da Defesa Nacional, para que possa o concelho de Figueiró dos Vinhos ser contemplado na estratégia mais abrangente de investimento no que se refere ao cluster da Defesa Nacional, que será aposta decisiva no próximo quadro comunitário de apoio», afirmou.
Antes, o autarca agradeceu o apoio prestado pelo Governo e pelo ministério da Defesa durante a resposta aos estragos provocados pela depressão Kristin, sublinhando que o ministro mobilizou recursos humanos e materiais que permitiram acudir às situações mais urgentes.
Por seu turno, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, recebeu a Medalha de Honra do Concelho e o título de Cidadão Honorário de Figueiró dos Vinhos, distinção que disse acolher com um «profundo sentimento de gratidão, honra e orgulho». O governante considerou não ter feito mais do que a sua «obrigação» perante as consequências da depressão Kristin, fazendo questão de partilhar o reconhecimento com as Forças Armadas Portuguesas.
Nuno Melo elogiou ainda a onda de solidariedade gerada após a calamidade, destacando a disponibilidade de empresários, famílias e cidadãos que se mobilizaram para ajudar o concelho.
O ministro aproveitou também para sublinhar o papel dos militares junto das populações, defendendo que Figueiró dos Vinhos ajudou a demonstrar uma realidade muitas vezes desconhecida. «Os militares não estão fechados em quartéis. Os militares estão empenhados todos os dias ao serviço das pessoas», afirmou, recordando o apoio prestado na proteção de habitações e bens de famílias afetadas.
Cerca de 15% da população continua sem telecomunicações
No final da cerimónia, o autarca de Figueiró dos Vinhos adiantou aos jornalistas que 15% da população do concelho continua sem acesso a serviços de internet e televisão na sequência da depressão Kristin. Esta preocupação por parte da autarquia tem sido transmitida às operadoras, que, segundo Carlos Lopes, justificam os seus atrasos com o imenso trabalho resultante da tempestade e a falta de condições e meios.
Por outro lado, o presidente da autarquia salientou que o município já desobstruiu 260 quilómetros de caminhos e estradas florestais e que vai entrar na fase de remoção do material lenhoso do espaço florestal, que dificilmente estará concluída nos próximos meses.
O primeiro trabalho foi o de procurar que todos os caminhos ficassem transitáveis , mas há “agora um trabalho bastante complicado e complexo a desenvolver que tem a ver com a remoção definitiva do material combustível”, reconheceu o autarca.












