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Setor da floresta “tem futuro” mas importa qualificar e inovar

Forestry Advanced School, polo de formação especializado, foi ontem, oficialmente, apresentado, na Quinta das Rolas. Identificada carência de operadores florestais

Resultados de um inquérito recente realizado a empresas ligadas à fileira da floresta indicam que existe, em Portugal, «uma carência de 140 operadores florestais». «São 140 oportunidades que podem vir a ser preenchidas como resultado» de projetos como a Forestry Advanced School (FAS), um novo polo de formação especializado dotado de uma infraestrutura de treino de máquinas única na Península Ibérica (Forwardromo), situado em Quiaios, adiantou Miguel Silveira, membro do Conselho Geral da Biond.

No lançamento oficial da FAS, na Quinta das Rolas, que surge no âmbito do projeto Advance Forest, o responsável realçou que o projeto vem colmatar a necessidade de capacitar pessoas, formar operadores, preparar o setor para os desafios do futuro, atraindo mão de obra especializada num polo de excelência.

«Este défice [de operadores florestais] já era reconhecido há dois anos e ficou mais evidente pela passagem da tempestade Kristen, confirmando que a capacidade instalada «é claramente insuficiente face às necessidades», continuou, alertando que «sem pessoas não há floresta».

Como salientou Miguel Silveira, «é importante referir que a floresta não se gera sozinha, exige presença no terreno, conhecimento técnico, capacidade de resposta e, principalmente, uma valorização das profissões florestais», até porque, acrescentou, «muitas vezes, são os primeiros a detetar os riscos e as ignições», revelando-se «uma linha essencial para uma proteção ativa da floresta».

«Esta formação, nomeadamente na primeira intervenção em incêndios rurais, ajuda, obviamente, a que estes operadores, quando estejam na floresta, sejam os primeiros a querer defendê-la. Por outro lado, as novas tecnologias são uma oportunidade estratégica para o setor», frisou Miguel Silveira, ao sustentar que «a digitalização, a inteligência artificial, a introdução de sistemas de monitorização torna a atividade cada vez mais eficiente, mais segura e, sobretudo, mais atrativa para as novas gerações»..

Ou seja, «se queremos atrair jovens para este setor, para a floresta, temos de demonstrar que é um setor que é moderno e que tem futuro», disse também Miguel Silveira, sem deixar de adiantar que iniciativas como o projeto Advance Forest - desenvolvido pela Biond, em parceria com a Fenafloresta e a Forestis - «mostram que é possível qualificar, é possível inovar e é possível criar condições na floresta mais competitiva, sustentável e, obviamente, resiliente».

Resultados “falam por si” e “têm impacto”

«Os resultados alcançados falam por si» e têm «impacto na floresta», adianta Miguel Silvestre, a propósito do balanço do Advance Forest. Com sete sessões de formação realizadas e o envolvimento de «cerca de 80 parceiros e participantes», como a «colaboração relevante com vários instituto e escolas», refere.

Participaram nas ações 350 pessoas, com a abordagem de temas «que vão desde a primeira intervenção de incêndios rurais à construção defensiva.

Apresentação Da Escola Da Floresta Em Quiaios Fig 7

“Modernizar não se faz só com equipamentos”

«A floresta está na primeira linha daquilo que é o futuro, o futuro de criar valor, criar atratividade para os nossos jovens e para quem opera com a maquinaria», salientou, ontem, Rui Ladeira, secretário de Estado da Floresta, no evento “Raízes do Futuro”, no lançamento da Forestry Advanced School.

O governante referiu que o caminho «de capacitar, modernizar e preparar para o futuro não se faz só com equipamentos». «É com pessoas, com todos a fazermos este caminho, lado a lado, para garantir que o setor florestal é um setor de futuro, que precisa de modernização, mas precisa também de fazer aquilo que nos inquieta, criar segurança, criar proteção», disse..

Ciente dos «problemas» da fileira Rui Ladeira não tem dúvidas de que se trata de um setor «com vitalidade, com iniciativa, com arrojo».

Ao destacar a evolução da maquinaria para uma maior eficiência, o governante lembrou que, para tal, são necessárias pessoas e importa «capacitá-las». «Também há algo relevante: nós precisamos de mais empresas e que as nossas empresas sejam mais capacitadas, preparadas para este percurso», sublinhou, lembrando que, no âmbito do Programa Mais Floresta, já foi atribuído «cerca de 10 milhões de euros» a empresários destinados a aquisição de máquinas para uma melhor gestão florestal.

Junho 18, 2026 . 11:00

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