Trump e a armadilha de Tucídides
Trump foi a Pequim com a urgência de quem precisa de uma saída. Xi recebeu-o com a calma de quem não precisa de fazer concessões — e invocou Tucídides.
A cimeira de Pequim terminou como começou: muita pompa e poucos acordos concretos. Trump chamou-lhe "incrível". Xi Jinping falou de uma "nova era de estabilidade".
Mas para lá do protocolo e dos banquetes na Grande Sala do Povo, ficou uma assimetria de posições que dificilmente se pode ignorar.
Trump foi a Pequim. Xi esperou-o. Só isso, é gramática diplomática - e diz muito.
A visita esteve prevista para abril. Foi adiada porque a guerra do Irão se intensificou – não é detalhe, mostra quem mais precisava deste encontro.
Washington enredou-se num conflito sem objetivos, com Israel no comando, os países do Golfo a alinharem-se de forma errática, a inflação a aumentar e as eleições americanas a aproximarem-se como um abismo. Trump foi a Pequim pedir ajuda para sair do labirinto iraniano.
Quer os mínimos: um acordo de desnuclearização que lhe permita reclamar vitória e recuar com alguma dignidade.
Conseguiu que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e que Teerão não deve ter armas nucleares - mas nada concreto foi anunciado. Xi assegurou, Xi escutou, mas ficou onde estava.
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