
Coimbra ganhou em 1939 um “palácio” para as Comunicações
Quase a terminar o ano de 1939, foi notícia de destaque no Diário de Coimbra, a 30 de outubro, a inauguração do novo edifício dos Correios, Telégrafos e Telefones, cuja obra, com projeto do arquiteto Amílcar Pinto, começara três anos antes no espaço entre o Mercado Municipal e o Jardim da Manga.
O edifício dos Correios na Baixa da cidade fora destruído por um incêndio em janeiro de 1926 e Coimbra esperou mais de uma década para ver condignamente alojados os serviços postais e telegráficos, que ficaram entretanto a funcionar, de forma provisória e inadequada, em espaços camarários.
Referindo-se ao novo edifício como “Palácio de Comunicações de Coimbra”, o jornal registou a solenidade do ato inaugural que teve a presença das «principais personalidades conimbricenses, representantes do comércio, da indústria, da magistratura, elementos universitários, entidades civis e militares, representantes das várias corporações locais, representantes da imprensa, funcionários superiores dos CTT de Lisboa, Porto, Viseu, Coimbra, etc.».
«O novo edifício dos Correios, Telégrafos e Telefones, dispondo de magníficas instalações, fica sendo um dos melhores edifícios públicos da cidade», avaliou o repórter, anotando que «uma rápida visita às instalações, se não nos chegou para compreender a importância de certos detalhes, chegou bem para avaliarmos da sua grandeza e do valor que representa como melhoramento de largo alcance social».
Eram 14h00 do dia 29 de outubro, um domingo, quando o governador civil, capitão Calado Branco, acompanhado das entidades oficiais, «abriu a porta do magnífico edifício, enquanto no átrio a banda da PSP executava alguns trechos de música», e «imediatamente o sumptuoso “hall” ficou repleto» de numerosos convidados.
Na cerimónia, perante o governador civil, ladeado pelo reitor da Universidade, Morais Sarmento, e o presidente da Câmara, Ferrand Pimentel de Almeida, começou por discursar o administrador geral dos Correios, Telégrafos e Telefones, Luís Couto dos Santos.
«A partir de hoje, creio poder afirmar que a estação e demais serviços dos CTT de Coimbra constituem uma das melhores repartições públicas desta cidade. Instalada há tempos a rede subterrânea de cabos telefónicos, estamos aptos a contribuir para a estética citadina, suprimindo os antigos traçados aéreos que todos execram. Inaugurada hoje a nova estação e a sede dos serviços provinciais, contamos prosseguir brevemente o programa de realizações que está previsto para benefício desta valiosa região, com a montagem do importante esquema de telefonia automática urbana e rural», anunciou o responsável.
Encerrada a sessão solene, os convidados puderam conhecer «as várias dependências onde ficam de futuro instalados os serviços postais e telegráficos» de Coimbra, registou o jornal.
A Segunda Guerra Mundial no Diário de Coimbra


1/9/1939
A invasão da Polónia no dia 1 de setembro de 1939, culminando a escalada de ameaças e agressões com que a Alemanha nazi de Adolf Hitler vinha desafiando a ordem internacional, mergulhou a Europa e o Mundo num devastador conflito que, em longos seis anos de barbárie e das mais terríveis batalhas, matou cerca de 40 milhões de civis e 20 milhões de soldados.
“Eclodiu a Guerra!”, destacava a edição de 2 de setembro deste jornal, que foi noticiando detalhadamente, quase sempre em primeira página, os trágicos desenvolvimentos da Segunda Guerra Mundial, que apenas viria a terminar na Europa a 8 de maio de 1945, após a rendição da Alemanha.
O Diário de Coimbra, que mantinha então “placards” em pontos principais da cidade, onde afixava informações de última hora, foi «o primeiro jornal a dar a notícia ao público desta cidade da declaração de guerra da Inglaterra» em resposta à agressão militar alemã.
«A Inglaterra entrou na guerra! Esta foi a notícia que os nossos “placards” espalharam pela cidade, e que por serem os primeiros a pôr o público ao corrente da situação internacional, foram lidos avidamente pelo numeroso público que em frente delas se aglomerava.
Às 11h00 terminou o prazo dado pela Inglaterra à Alemanha para responder ao ultimatum que lhe foi enviado. Às 11h30 o Diário de Coimbra dava conhecimento ao público de tão grave notícia.
O nosso jornal continuará a dar as notícias que reportar sensacionais, pondo assim o público ao corrente da situação internacional», lia-se na edição de 4 de setembro.
Também o Diário de Coimbra acompanhou, publicando frequentes notícias em primeira página, outro trágico conflito que meses antes chegara ao fim.
A Guerra Civil Espanhola, que opôs as forças republicanas aos nacionalistas do general Francisco Franco, tinha começado em 1936 e terminou oficialmente a 1 de abril de 1939 com a capitulação de Madrid. Das sangrentas lutas resultaram meio milhão de mortos e a destruição do país vizinho.|











