
Emirados retomam operações aéreas e companhias indianas anunciam cortes de voos
Os Emirados Árabes Unidos retomaram hoje as operações normais de tráfego aéreo, após o levantamento das medidas de precaução devido ao conflito entre os EUA e Israel no Irão, que aumentou o preço dos combustíveis e cortes de voos.
A Autoridade Geral da Aviação Civil (GCAA) dos Emirados Árabes Unidos (EAU) confirmou a "retomada das operações normais de tráfego aéreo no espaço aéreo dos EAU e o levantamento das medidas preventivas temporárias", informou a agência noticiosa oficial WAM.
A GCAA afirmou que a decisão foi tomada após "uma avaliação minuciosa das condições operacionais e de segurança, em coordenação com as autoridades competentes" e enfatizou a monitorização contínua em tempo real para garantir os mais elevados níveis de segurança aérea.
A GCAA expressou gratidão pela "cooperação dos passageiros e das companhias aéreas durante o período anterior" e reafirmou a prontidão das equipas técnicas e operacionais para lidar com qualquer eventualidade.
Tal como outros países vizinhos, como o Qatar, o Kuwait e o Bahrein, os EAU foram alvo de intensos ataques de drones e mísseis iranianos desde o início do conflito até ao anúncio do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão.
A 08 de abril, as partes concordaram com um cessar-fogo inicial de duas semanas, após 39 dias de combates, posteriormente prolongado indefinidamente para permitir tempo para negociações entre Teerão e Washington.
No entanto, as conversações diretas entre os dois países continuam paralisadas devido à recusa do Irão em negociar enquanto os Estados Unidos mantêm o bloqueio naval aos seus portos e navios, uma medida destinada a prejudicar a economia iraniana.
O Irão, por sua vez, mantém o controlo do tráfego no Estreito de Ormuz, a rota estratégica por onde transita 20% do petróleo mundial, o que fez subir o preço do crude.
Como consequência deste aumento, e consequente subida do prço do querosene de aviação, as principais companhias aéreas da Índia anunciaram que vão cortar dezenas de voos internacionais nas próximas semanas.
"A situação do espaço aéreo e os preços do combustível de aviação continuam extremamente difíceis, não nos deixando outra opção senão reduzir ainda mais os nossos voos previstos para junho e julho", disse o CEO da Air India, Campbell Wilson, segundo fontes citadas pela agência de notícias local ANI.
A companhia aérea nacional alertou na sexta-feira que os preços atuais tornam várias rotas "inviáveis" e informou os seus funcionários que vai cancelar dezenas de voos diários, especialmente em rotas para a Europa e América do Norte, de acordo com um comunicado divulgado à imprensa.
A IndiGo, a maior companhia aérea da Índia, vai aplicar um ajuste drástico, com uma redução de 17% da sua capacidade internacional em maio, face aos níveis de fevereiro, segundo dados da consultora global de aviação OAG.
De acordo com a OAG, a companhia aérea indiana de baixo custo ocupa o sexto lugar no ranking das companhias aéreas mais afetadas no mundo pelas interrupções no Médio Oriente e o mais afetado entre as companhias aéreas não sediadas no Golfo.
A crise no Estreito de Ormuz, por onde passa quase 80% do petróleo da Ásia, não só fez subir os preços do crude, como obrigou as companhias aéreas a optar por rotas mais longas para evitar zonas de conflito.
O preço do combustível para voos internacionais subiu 5% a 01 de maio, atingindo os 1.511,86 dólares (cerca de 1.289,85 euros) por quilolitro, enquanto os preços domésticos permanecem em níveis recorde após um aumento de 25% no mês passado, de acordo com dados das principais companhias petrolíferas estatais da Índia.











