O absinto e o ópio
O consumo de bebidas e substâncias alucinogénias fazia parte do quotidiano de muitos escritores e artistas do fim-de-século, esteticamente vinculados ao Simbolismo e ao Decadentismo, que se orgulhavam do seu desalinho com a sociedade burguesa.
Com excessiva e inadequada frequência, se associou a revolução literária que consistiu na adoção da linguagem simbólica e conotativa, em detrimento da descrição factual e da definição objetiva, aos delírios provocados nos escritores pelo abuso do álcool ou de substâncias opiáceas.
Assim sendo, não é surpreendente encontrarmos em notas biográficas sobre o autor de Clepsidra referências ao consumo de absinto nos seus anos de escolaridade universitária em Coimbra, o que não condiz com o seu perfil psicológico nem as suas condições de saúde.
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