
Dez de Agosto cumpre tradição da “Queima do Judas”
A Sociedade Filarmónica Dez de Agosto voltou a cumprir a “Queima do Judas” no Largo de São João do Vale, freguesia de São Julião, Figueira da Foz. A tradição vigente em diversas comunidades católicas, que se realiza sempre ao meio-dia no sábado de aleluia, juntou ontem dezenas de pessoas para celebrar a Quaresma com um costume que está enraizado na cidade há vários anos e que a coletividade popularmente conhecida como “A Teimosa” faz questão de manter.
«Agora, num tempo diferente, pretende-se mostrar e contagiar com este singelo hábito de brincar em tempo de Páscoa», escreveu a direção da Dez de Agosto em panfletos distribuídos aos presentes no Largo de São João do Vale, por forma a dar a conhecer a todos a “Queima do Judas”, onde ainda foi possível observar diversas fotografias antigas de edições anteriores.
Foi com sentido de dever cumprido que Sansão Coelho, presidente cessante da Sociedade Filarmónica Dez de Agosto, agradeceu a presença da comunidade que, desta forma, dá o seu contributo para manter vivas as tradições na Figueira da Foz.

Já o presidente da Junta de Freguesia de São Julião, Manuel Rascão Marques, enalteceu a iniciativa pela importância de ensinar as gerações mais novas sobre a cultura e as tradições do meio onde estão inseridos.
Assim, enquanto os adultos observavam, foram as crianças que fizeram a festa. A “Queima do Judas” começou com os mais novos a subirem à vez ao topo de um tronco para apanharem as várias oferendas ali penduradas, nomeadamente um bacalhau, uma garrafa de vinho e um bolo típico. Depois, segurando varas de madeira nas mãos, bateram no boneco do tamanho de um homem - forrado de trapos, palha e jornal - de onde saltaram chocolates e doces que fizeram as delícias dos miúdos, sob o olhar atento dos graúdos.
Por fim, foi ateado fogo ao “apóstolo traidor”, sob o olhar atento de uma equipa dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz que no final extinguiu as chamas por uma questão de segurança.
Refira-se que esta tradição da “Queima do Judas” representa, por um lado, a consequência da atitude maléfica do discípulo Judas que traiu Jesus, por outro lado, assinala a chegada da primavera queimando-se o desagradável inverno.











