
Migrantes apreendem ferramentas para aceder ao mercado de trabalho
«Devo colocar foto no currículo?». A questão veio de uma jovem brasileira, que seguia atentamente a exposição do técnico do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Uma das muitas perguntas feitas na sessão de capacitação, destinada a migrantes, que lotou a sala da Casa da Cultura. Uma adesão expressiva que justifica a proposta do Grupo de Trabalho “Pessoas Migrantes e Refugiados”, da Rede Social de Coimbra.
Uma manhã de sexta-feira recheada de perguntas, respostas e, sobretudo, de esclarecimentos para quem, vindo dos mais diversos cantos do mundo, procura emprego.
«Somos mais do que a profissão que vamos exercer», disse António Pinto, alertando para a importância de «olhar para a empresa como um todo» e mostrar «competências», que podem fazer a diferença.
Voltando ao currículo vitae (CV), nada de enviar «currículos em massa», pois «as empresas são diferentes» e não vale a pena usar “chapa 5”.
«É importante personalizar», fez saber. «Deve-se seguir o modelo Europass?», questionou uma jovem da assistência, que reuniu jovens, pessoas de meia idade e mais velhas, provenientes da América do Sul, África, Médio Oriente e Europa de Leste.
«O modelo não é uma preocupação, o importante é o que lá está», afirmou António Pinto. «Uma página, não mais! Se tiver mais coisas para dizer, leva-as para a entrevista», adiantou, salvaguardando áreas como o design em que é possível remeter para um portefólio.
As redes sociais, segundo o técnico, assumem também aqui uma importância grande, pois através delas é fácil apurar mais informação sobre o candidato.
E sobre a foto. «sim, é importante, mas convém ser uma foto sóbria, da cara», reforçou. Relativamente à morada, António Pinto foi taxativo: não colocar.
Referir, isso sim, o concelho de residência, o número de telemóvel e as redes sociais.
O importante, sublinhou, é fornecer a «informação que as empresas precisam de saber», o que passa pela simplificação, destacando as competências-chave, direcionadas para cada caso concreto e exemplificou como o chat GPT (versão gratuita), pode revelar-se uma ajuda, sempre supervisionada a posteriori.
Em síntese, a “fórmula” para uma procura ativa de emprego passa por definir «o que sei fazer, quais as minhas competências, que empresas precisam do que sei fazer e como é que essas empresas recrutam».
Grande parte das empresas não recorre ao IEFP, mas a plataformas, como o “Linkedln” ou tem as ofertas no respetivo site.
Referência para uma carta de apresentação, que pode ser muito simples, mas fazer a diferença.
«Procurar com estratégia; saber o que se quer, adaptar o CV, treinar entrevistas e usar as redes sociais, formais e informais» foram alguns dos conselhos deixados pelo técnico, que também referiu a importância da formação profissional. «É uma ferramenta de empoderamento, para atualizar competências», para «mudar de área».
«É um ano, passa num instante e ajuda a andar para a frente», incentivou, numa conversa muito prática, que também contemplou as habilitações, ao nível do 12.º ano, e a necessidade de obter equivalência, o que pode ser feito, caso tenham o respetivo diploma, junto de uma escola secundária.
Se esse documento não existir, recorrer a um Centro Qualifica para o reconhecimento e validação de competências e conhecimentos (RVCC), o que requer o domínio mínimo da língua portuguesa, oral e escrita.
«Ajudou muito. Vou mudar o meu CV», disse-nos Rafaela Martins, de 22 anos, que assistiu à sessão precisamente «para saber o que posso melhorar para ter emprego».
«Foi útil», adiantou a jovem brasileira, que veio há quatro anos para Coimbra com o objetivo de estudar, mas agora está à procura de emprego.











