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“Sempre fui muito acarinhado pela cidade”

José Raul, o “Eléctrico”, trabalhou durante cerca de 25 anos como sinaleiro em Coimbra, mas foi também voz (e corpo) pelos direitos dos polícias

«Ao ver aquelas imagens no Terreiro do Paço revi aquele 21 de abril [de 1989], revi-me na linha da frente a levar com a água e passado estes anos todos, olhar para aquelas imagens, emociona», conta, claramente emocionado, o agente Raul, após a homenagem pelos anos de serviço promovida pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), no Café Santa Cruz.

As imagens referem-se à manifestação “Secos e Molhados” que levou milhares de polícias ao Terreiro do Paço e que ficou marcada por ser uma «viragem na luta pela liberdade sindical dos polícias», explicou Cristiano Correia, secretário nacional da ASPP/PSP e que ainda hoje fazem emocionar o agente Raul. Numa homenagem que pecou por «ser tardia», José Gomes Ferreira Raul foi recordado pela sua luta pelos direitos de todos os polícias, mas foi também distinguido por ser uma figura muito acarinhada pela população de Coimbra.

Agora o agente Raul já não veste a farda todos os dias para ir “comandar”

Agora o agente Raul já não veste a farda todos os dias para ir “comandar” o trânsito na Casa do Sal ou Avenida Fernão de Magalhães. Porém, continua a ser reconhecido na rua e recordado pelos seus gestos frenéticos e apito.

«Fui muito acarinhado pela cidade de Coimbra e as pessoas continuam a mostrar esse carinho nas redes sociais ou mesmo quando me encontram no supermercado ou na rua», confessou. Aliás, um dos episódios que recordou demonstra como marcou muitas gerações enquanto polícia sinaleiro. Há poucas semanas estava na Figueira da Foz, em passeio com a sua mulher, e foi reconhecido.

O rapaz veio falar comigo, porque tinha estudado na Escola Básica São Bartolomeu e eu ajudava aquelas crianças a passar a estrada. Acabou por me dizer que era polícia por minha causa».

As recordações são muitas, desde os cortejos da Queima das Fitas em que os estudantes lhe tiravam a boina e lhe punham uma cartola

As recordações são muitas, desde os cortejos da Queima das Fitas em que os estudantes lhe tiravam a boina e lhe punham uma cartola, das crianças a quem dava rebuçados e ajudava a atravessar a estrada, passando pelo dia a dia como sinaleiro e os milhares de cumprimentos que deu ao longo da sua vida profissional.

Certo é que a energia não se esgotou mesmo depois da reforma. E se tivesse que voltar à vida de sinaleiro? «Era exatamente igual, os gestos são exatamente os mesmos. Não havia cá dúvidas», rematou o sinaleiro “Eléctrico”, enquanto demonstrava os gestos que usava para fazer o trânsito circular.

Março 17, 2026 . 07:00

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