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Cáustico e saudoso é o “novo” humor de Sinel de Cordes

Portugal, Amor não correspondido” é o mais recente solo do humorista que procura ligar o “humor negro” a uma “revisão” do que é ser português desde os anos 80.

«O Diário de Coimbra tem uma ligação especial com este espetáculo», tema que apenas será revelado a quem for assistir. Rui Sinel de Cordes, um dos mais relevantes nomes do humor nacional, arrancou a 13 de fevereiro com o seu novo solo, “Portugal, amor não correspondido”, que chega amanhã a Coimbra.

«Este foi um processo diferente porque estou habituado a fazer bits mais longos, neste caso são mais curtos e com um ritmo muito mais rápido», reflete. Sobre o conteúdo, explica que «é uma análise ao estado do país que começa na minha infância, nos anos 80, e vem até à atualidade».

Na criação deste novo momento, conta que «mexeu com a nostalgia» e com a «relação amor-ódio» que considera que todos sentem em relação ao país de nascença. «Há sempre coisas que se fazem bem e coisas que se fazem mal, então tentei entender esses sentimentos e ir buscá-los, mesmo os mais difíceis».Com o compromisso de «fazer as pessoas rir», não nega que o primeiro desafio é «agradar» a si próprio.

«A primeira “barreira” é fazer alguma coisa com que eu me identifique, que eu sinta que vale a pena», e neste processo por vezes “risca” elementos que depois acabam por surpreender: «às vezes escrevo coisas que acho que não funcionam e retiro do texto, depois acabo por ceder e experimentar algumas e já me aconteceu o público gostar tanto que tenho de juntar ao solo».

Em análise ao panorama da comédia em Portugal, revela que não acompanha nenhuma personalidade individual e não faz «comparações». «Os grandes da comédia, do início, não faziam isso, até pela dificuldade em fazê-lo. Portanto porque é que não posso fazer o meu sem comparar com outros e fazer bem na mesma?», mensagem que considera ser importante até para quem começa agora. «É importante começar, sair do conforto, o resto depois vê-se».

De modo mais pessoal, afirma que gostaria de ver um «mundo mais livre» onde as sobrinhas possam crescer, situação que não vê como o futuro que se aproxima. «É preciso analisar e compreender estes mecanismos que impedem as pessoas de vingar. As nossas crianças enfrentam um mundo muito menos livre do que nós e isso é um problema. As minhas sobrinhas crescerem num mundo livre é mais importante do que a minha carreira».

Em fim de conversa, Rui Sinel de Cordes conta que para o futuro ainda tem «um ou dois truques na manga» e que acredita que a sua «coragem» para ser autêntico, com a sua «consciência» e «criatividade», o distinguem dos restantes, mesmo que «a fama» não o preocupe.

O Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) é o palco para a sua atuação de amanhã à noite, com início às 21h30.

Fevereiro 24, 2026 . 09:03

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