Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Unicafarma 20260601
Legua Dc
Pub

Memórias: Era preciso conservar o aeródromo da Figueira

22/1/1938 | Campo de Aviação Humberto Cruz era na Morraceira e corria o risco de ser inutilizado

O campo de aviação inaugurado a 18 de setembro de 1932 na ilha da Morraceira, junto à foz e na margem esquerda do Mondego, onde viria a funcionar até finais dos anos 70, mereceu um reparo na “Carta da Figueira da Foz” da edição de 22 de janeiro de 1938 do Diário de Coimbra.
«Consta-nos, mas vamos oportunamente recolher sobre o assunto informações mais precisas, que o aeródromo da Figueira está correndo o risco de ser inutilizado por efeito de construções e arranjos nos terrenos adjacentes, que de futuro poderão impossibilitar as aterragens e descolagens. Isto, note--se, depois do Estado, por intermédio do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, ter ali gasto, e muito bem, dezenas de milhares de escudos, não falando já do dispêndio e dos cuidados que tem merecido no nosso município. Salvo o devido respeito, parece--nos que tal estado de coisas não deve continuar e por isso nos permitimos chamar a atenção de quem de direito para que não se inutilize o campo de aviação da Figueira da Foz, um dos vários campos de recurso que em Portugal possuímos e cuja resistência cremos estar no pensamento governativo manter e acarinhar, encorajando assim a iniciativa oficial e particular das localidades, atendendo à vantajosa utilização que estes campos podem um dia proporcionar», alertava o artigo publicado neste jornal.

"A Figueira tem de interessar-se a valer pelo seu campo de aviação"

O autor sublinhava ainda a necessidade de manter este campo de aviação «cuidadosamente conservado, quer na sua pavimentação, quer na sua drenagem, quer na sua vedação».
«A Figueira tem de interessar-se a valer pelo seu campo de aviação, e o município, valiosamente coadjuvado pelo Governo, como tem sido até hoje, não consentirá, por certo, no desaparecimento de uma obra que é sem vaidade motivo de legítimo orgulho para esta terra. E até mesmo pelo lado sentimental, impõe-se, como homenagem justíssima aos figueirenses alistados na “Quinta Arma”, que o nosso campo de aviação se conserve e progrida cada vez mais e melhor. Um desses figueirenses a que nos referimos é o sr. capitão Humberto Cruz, o destemido piloto da viagem aérea a Timor, em quem não sabemos que mais admirar, se a sua heroicidade, a aliciante fidalguia do seu trato, as suas notáveis qualidades militares ou as suas acrisoladas virtudes como cidadão. Cuidemos do nosso campo, pois!», exortava o articulista.

Dezembro 21, 2025 . 08:50

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right