
Oposição tem dúvidas sobre eficácia do bypass da Figueira da Foz
Foi validada, recentemente, uma proposta no Orçamento de Estado para 2026 (OE2026) com o intuito de lançar o concurso público para a conceção e construção da obra do sistema fixo de transposição sedimentar (bypass) da Barra da Figueira da Foz, cuja verba mínima disponível é de 18,1 milhões de euros e a qual deve ser financiada através da alocação de fundos do Programa Portugal 2030.
Porém, na última reunião do executivo municipal, a oposição revelou-se pouco crente quanto à viabilidade deste projeto.
Apesar de se congratular com a validação desta proposta no OE2026, João Paulo Rodrigues manifestou ter «dúvidas que a solução do bypass possa ser eficaz» para as praias do concelho.
«Espero estar enganado, mas isto é aquilo que o meu senso comum me indica. Para já, é uma obra avultada e tem custos de funcionamento avultados. Nós, em Portugal, temos dinheiro para fazer as obras, mas depois para o funcionamento e para a manutenção falha», advertiu o vereador do PS, considerando a obra «interessante», contudo, com receio que esta não venha a ter a devida manutenção.
Quanto à solução para o problema iminente da erosão costeira na margem sul do concelho, o socialista acredita, por um lado, que poderá passar pelas dragagens, acompanhadas de obras de contenção.
Por outro lado, defendeu uma intervenção que permitisse fazer a quebra das ondas que vêm de norte para sul, possibilitando a passagem de areia, o que poderá ser concretizado com um encurtamento do molhe.
«Todas essas soluções teriam que ser estudadas, obviamente», sublinhou João Paulo Rodrigues, acreditando que poderiam ser opções mais «eficazes» e «controláveis».
«É um problema que tem que ser resolvido, que espero que corra bem e que esteja enganado com estas preocupações que estou aqui a ter», rematou o vereador da oposição durante a sua intervenção.
Pouco entusiasta com esta medida também se mostrou Hugo Fresta.
«Não sei se nos podemos congratular muito. É que já foi aprovado e nada foi feito», lamentou o vereador do CHEGA, tendo dúvidas quanto ao avanço deste projeto.
Entretanto, quem desespera por uma solução é a população da margem sul do concelho, que vai partilhando constantemente imagens nas redes sociais, que mostram como a areia que tem sido engolida pelo mar nas últimas semanas.
«Isto é para os ambientalistas defensores da areia e não da pedra verem que só com pedra é que se consegue defender as povoações. O que é preciso é que a saibam pôr», escreve Joaquim Cardoso.
Recorde-se que, no verão deste ano, uma empreitada de 21 milhões de euros alimentou artificialmente o troço costeiro a sul da Figueira da Foz (praia da Cova-Gala - Lavos), com 3,5 milhões de metros cúbicos de areia, naquela que foi a maior intervenção de alimentação artificial de praia alguma vez realizada na costa portuguesa.









