Da raiz e do espanto - Fernando Pessoa: "Nunca pretendi ser senão um sonhador"
«Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior», reconhece Fernando Pessoa, por intermédio do seu heterónimo Bernardo Soares, no «Livro do Desassossego», obra na qual, como prefacia Richard Zenith, a inspiração lhe chega de formas imprevisíveis.
Nesse que «é, e será sempre, muitos livros possíveis, sem que possa existir uma edição definitiva», admite-se – como observa o prefaciador e crítico literário americano-português, vencedor do Prémio Pessoa, em 2022 – «que o conjunto [dos trechos ou fragmentos] não corresponderia à obra que teria publicado, pois tencionava sujeitá-la a uma profunda revisão». Porém, é um autêntico confessionário para o «poeta de mil faces»: «Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser.»
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