
Projeto revela que 80% dos cuidadores apresentam sobrecarga intensa
Os resultados da implementação do projeto C2C - Capacity to Care (Cuidadores informais: Capacitar, para cuidar de pessoas com demência) indicam, entre vários itens, que 80% dos cuidadores apresentam sobrecarga intensa, que a maioria dos cuidadores é do sexo feminino (76,7%), enquanto apenas 23,3% são do sexo masculino, e que a idade dos cuidadores varia entre 44 e 87 anos, com uma média de 63,4 anos (erro padrão = 13,22).
Este projeto, coordenado por Rosa Cândida Melo, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), e que beneficia da parceria da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) Norton de Matos, da Administração Regional de Saúde do Centro, da Associação Alzheimer Portugal e da Câmara Municipal de Coimbra, visa capacitar cuidadores informais, especialmente de pessoas com demência, para que possam enfrentar melhor os desafios do cuidado, e tem como objetivo sensibilizar para a importância de implementar programas de capacitação para cuidadores informais, valorizando o seu papel e proporcionando-lhes melhores condições de vida.
Os dados foram divulgados ontem no decorrer do II Encontro Nacional de Cuidadores Informais, que teve lugar na ESEnfC, ficando-se a saber também que dos 30 cuidadores que integraram o estudo 60% são filhos que cuidam dos pais com demência, seguidos pelos cônjuges, que representam 23,3%.
A maioria dos participantes encontra-se aposentado ou reformado, representando 40% da amostra. Entre os restantes, 20% são especialistas das profissões intelectuais e científicas, 16,6% exercem funções administrativas ou similares e 10% são técnicos ou profissionais de nível intermédio. Já 80% dos cuidadores referiram sofrer de alguma doença ou incapacidade, enquanto apenas 20% afirmaram não apresentar qualquer condição de saúde relevante.
Cuidadores evidenciam elevado nível de dificuldades, nomeadamente em lidar com as reações à prestação de cuidados/recusa dos cuidados
No entanto, revela o estudo, 53,3% dos cuidadores informais/ familiares referiram não ter conhecimento do Estatuto do Cuidador Informal (ECI), enquanto apenas 46,7% afirmaram conhecer este instrumento legal. Nenhum dos participantes, todavia, usufrui de qualquer benefício financeiro previsto pelo ECI. A maioria dos cuidadores (53,3%) dedica entre 16 e 24 horas diárias ao cuidado, sendo que a média diária registada é de 13,87 horas/dia.
Os cuidadores evidenciam elevado nível de dificuldades, nomeadamente em lidar com as reações à prestação de cuidados/recusa dos cuidados, enquanto 73,4% dos cuidadores consideram que a pessoa de quem cuidam lhes exige demasiado. Este estudo permitiu igualmente perceber que 80% dos participantes sentem-se fisicamente exaustos e 60% indicam que a pessoa dependente requer um nível elevado de auxílio nos cuidados pessoais. Adicionalmente, 66,4% dos cuidadores reconhecem que a sua própria saúde foi afetada. Já 76,7% referiram não conseguir usufruir de momentos de descanso ou férias.
No campo das intervenções para responder às necessidades sentidas, foi implementado um programa para capacitação para o exercício do papel de cuidador, com sete sessões semanais em grupo, realizadas de janeiro a março de 2025.O II Encontro Nacional de Cuidadores Informais assinalou simbolicamente o Dia do Cuidador Informal, e propôs-se aprofundar a reflexão iniciada, dando especial destaque ao contributo da investigação, da prática e da experiência vivida na construção de soluções para os desafios do cuidar.












