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Doutoramento em Desporto pode ser uma realidade próxima na ESEC

Rui Antunes, presidente da Escola Superior de Educação (ESEC), faz balanço positivo, mas mantém a necessidade de mais espaços, mais financiamento e obras de requalificação do polo II na linha de prioridades para o futuro da instituição. Entrevista completa para ler na edição online.

Mais um ano à frente dos comando da ESEC. Qual é o balanço que faz do último ano?
Rui Antunes Dadas as circunstâncias, acho que correu muito bem, como sou uma pessoa otimista, tendo sempre a ver o lado positivo das coisas. Claro que temos dificuldades e, às vezes, temos que as apontar para que não nos esqueçamos que elas existem. Essas dificuldades têm um pouco a ver com as instalações e com o financiamento público que é atribuído à escola. Por outro lado, acho que no ano que passou tivemos bastantes notícias positivas para a Escola Superior de Educação. Uma delas é o facto de termos conseguido, finalmente e pela primeira vez, apresentar dois centros de investigação para avaliação na A3ES [Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior]. Este foi um trabalho que já vinha de anos anteriores, porém tivemos o resultado apenas no ano letivo passado. Temos assim dois centros de investigação que estão avaliados como “Muito bom”.

Ter esta avaliação é um passo importante para a criar de um doutoramento no futuro, como tem falado nos últimos anos?
Para nós foi, de facto, o culminar de um trabalho que veio sendo feito nos últimos anos para criar esses centros e sobretudo criá-los com um nível que permitisse ter, pelo menos, uma avaliação “Muito bom”.
Estes dois centros são em parceria com várias outras instituições de ensino. Um é o Sprint, que envolve investigadores da ESEC e outros investigadores de outros politécnicos na área do Desporto. E o inED – Centro de Investigação e Inovação em Educação – que envolve o Instituto Politécnico do Porto e o de Viana do Castelo. A nota máxima é “Excelente”, mas “Muito bom” já é uma nota muito positiva e é o que nos permite apresentar projetos de criação de doutoramentos. E, portanto, a ESEC estando envolvida em dois centros que têm avaliação “Muito Bom”, isso já se traduziu na apresentação de um projeto que está em apreciação na A3ES para a criação de um curso doutoramento na área de desporto. Em segundo plano, estamos a ultimar um projeto que também iremos apresentar para a criação de um curso de doutoramento na área da Educação com o Instituto Politécnico do Porto e de Viana do Castelo. Nesse sentido, foi importante para nós ter estas avaliações porque nos vão permitir abrir cursos de doutoramento no futuro.

Para nós foi, de facto, o culminar de um trabalho que veio sendo feito nos últimos anos para criar esses centros de investigação

Quando?

Neste momento estão a ser avaliados na A3ES. O projeto quanto à criação do doutoramento na área do desporto foi o primeiro a ser entregue, no ano passado, e estamos à espera de que haja uma decisão ainda este ano. Se for aprovado, pode iniciar em setembro de 2026. Quanto ao doutoramento na área da Educação será entregue no período que decorre para a acreditação, entre janeiro e fevereiro de 2026, e se correr tudo, excecionalmente bem e for aprovado, pode entrar em funcionamento em 2026. Contudo, a expectativa mais razoável é que seja em 2027. Há pouco tentei encontrar um artigo de opinião que escrevi há muitos anos - no meu primeiro mandato enquanto presidente da ESEC - precisamente para o Diário de Coimbra onde apontava que a Escola Superior de Educação de Coimbra iria chegar a uma universidade. Ao fim destes anos todos e no último ano de mandato que irei cumprir como presidente da ESEC, para mim é muito satisfatório chegar aqui e ver concretizadas as duas metas que, de facto, são a consolidação daquele projeto que iniciámos há muitos anos.

 

Este ano, houve uma quebra de 12% quanto ao número de estudantes a ingressar no ensino superior. Qual é a realidade da ESEC?

Bem, há casos diferentes no que diz respeito aos cursos da Escola Superior de Educação. Genericamente, a ESEC foi a escola que teve melhor performance do Instituto Politécnico de Coimbra. Nesse aspeto não tendo sido excelente, como nós gostaríamos, não fomos afetados com essa diminuição de estudantes como outras instituições. Porém, temos três cursos que estão em análise interna que por serem cursos em pós-laboral [Curso de Animação Socioeducativa, Turismo e Comunicação Organizacional] são aqueles onde existem menos alunos. Acho que esta diminuição bastante acentuada no número de candidatos corresponde a um ciclo. Ou seja, os cursos pós-laborais foram criados numa perspetiva de dar uma alternativa de formação a pessoas que trabalham e que querem continuar os estudos, ou porque abandonaram os estudos quando eram jovens ou porque não ingressaram ou então entendem que no decorrer das suas vidas profissionais que precisam de fazer uma licenciatura. Esta foi, de facto, durante um tempo uma realidade. Atualmente, há cada vez menos pessoas nessas situações e isso traduz-se na procura dos cursos pós-laborais. Não estou com isto a dizer que não há pessoas interessadas, mas se calhar temos de repensar o modelo de funcionamento destes cursos que, aliás, são muito exigentes para quem frequenta. Estes modelos devem ser revistos e hoje a tecnologia pode ser uma ajuda, nomeadamente, no ensino à distância.

"Genericamente, a ESEC foi a escola que teve melhor performance do Instituto Politécnico de Coimbra"

Em relação ao IPC, este ano a ESEC é a instituição que tem o curso com a média mais alta – Arte e Design – e foi na ESEC que ingressou a aluna com a nota mais alta, entrando em Educação Básica. Como é que a ESEC vê estas duas “conquistas”?

E fomos a que preenchemos, em percentagem, o maior número de vagas colocadas. São sinais positivos, mas é claro que não podemos viver com o mal dos outros. Este ano também existiu uma variável externa que nos afetou a todos que tem a ver com a alteração das regras de acesso quanto aos exames específicos para ingressar nos cursos e para concluírem o Ensino Secundário. A mudança de paradigma e a necessidade de realizarem os exames para terminar o Secundário tornou o acesso ao ensino superior mais exigente.

 

Este ano também se verificou o aumento da procura pelo curso de Educação Básica. A que é que se deve essa procura?

Isto é cíclico. Estes cursos de formação de professores são afetados pelo ambiente político. Ou seja, há uns anos, o Governo dizia que havia professores a mais, fecharam-se cursos, forçaram-se as instituições a diminuir as vagas. O ministério liderado na altura por Nuno Crato decretou que todas as Escolas de Educação tinham que diminuir em 20% as vagas neste curso. E, por isso, tivemos um período em que, por decisão política, houve uma retração na formação de professores. Teoricamente, diziam que havia muitos professores e o que assistimos foi a uma retração excessiva e agora, anos mais tarde, há falta de professores. A questão da formação tem de ser vista a longo prazo, porque as medidas tomadas hoje vão refletir-se daqui a cinco, seis, sete anos.

Durante anos tivemos as admissões congeladas na formação de professores e, de repente, o poder político acordou para a realidade de que há falta de professores. O governo no ano anterior fez um estudo perspetivo sobre o número de professores que se vão reformar e entraram em pânico porque perceberam que não há professores suficientes para os substituir. Surge então este movimento para se formar “à força”. Temo que seja em demasia e depois de volte atrás. Porém, vamos ter esperança, até porque as escolas não têm capacidade agora para de repente disponibilizar muito mais vagas.

Rui Antunes 3

Ainda sem projeto, nem obras feitas no Polo II, no antigo ISCAC, que ocupam há duas décadas, como é que têm feito a gestão?

A falta de espaços implica que nós não consigamos crescer muito mais. Podíamos ter mais cursos ou até duplicar a capacidade de alguns cursos, mas não o fazemos, porque não temos instalações para fazer toda a formação que precisámos. Temos conseguido abrir cursos, por exemplo, CteSP (Curso Técnico Superior Profissional) que foram deslocados para Cantanhede e Mealhada. Por outro lado, temos aberto cursos em pós-laboral, pós-graduações e formações, aproveitando as instalações da ESEC depois do horário comum. Sobre o Polo II concretamente: as instalações antigas são pré-fabricadas em betão e temos sempre o dilema do tipo de intervenção que deve ser realizada. Ou optamos por uma solução definitiva, que vai custar alguns milhões de euros, ou então é uma solução de ir tapando buracos. Portanto, estamos a fazer obras, de tapar buracos que custam dezenas de milhares de euros. De certo modo é estar a despejar dinheiro em cima de um problema que não está resolvido. Na sequência de algumas denúncias feitas por alunos ainda no ano passado, o Politécnico de Coimbra fez um projeto para minorar o problema, mas depois não temos dinheiro para fazer esse investimento. O anterior presidente do IPC [Jorge Conde] tentou negociar uma solução com a Câmara Municipal para encontrar um terreno, mas não aconteceu. Portanto, para crescer tinhamos que conseguir um apoio para custear a obra no valor de quatro, cinco ou seis milhões de euros.

 

Já apresentou este problema à nova presidente do IPC, Cândida Malça?

Sim, sim, claro que a doutora Cândida tem outros problemas, mas está inteirar-se deste e tem consciência de que este problema existe e que tem de ser solucionado.

A ESEC já celebrou o seu aniversário, mas as comemorações só se vão realizar no dia 3 de novembro. O que é que está planeado?

Todos os anos organizamos uma sessão mais formal de abertura do ano letivo, teremos intervenções da presidente da Associação de Estudantes, da presidente do IPC e eu também irei intervir. Temos também organizada uma palestra com Helena Cardoso. É designer, uma artista plástica, mas tem também uma experiência muito interessante de projetos que desenvolveu com comunidades rurais no norte de Portugal, ligadas ao têxtil e ligadas às tradições e atividades artesanais, dando-lhes um certo sentido de contemporaneidade, sem desvirtuar a natureza cultural. “Mulheres num tempo sem tempo” é o nome da conferência que vai trazer aos alunos da ESEC.

Novembro 3, 2025 . 07:45

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